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Muse na Paulicéia Desvairada.

3 de August de 2008

São Paulo - MetrôVamos pela cronologia dos acontecimentos.
Transporte por metrô é mais simples e divertido do que eu pensava. É comprar o ticket, consultar suas estações e baldeações, quando necessárias, e pegar o dito cujo. Se você perde um quando está descendo de outro, não dá nem tempo de vociferar enputecido “Porra! Caralho!” que já para outro logo na sua frente. Minha única crítica fica para o fato de que não há um aviso luminoso em um letreiro de qual estação o metrô está fazendo a parada, só há a comunicação em voz do condutor do carro - aí não tem muito como você ficar em paz ouvindo música no iPod, já que tem que ficar atento ao aviso ou de olho em qual estação você está no momento.
E subi ao centro de São Paulo.
São Paulo - Av. PaulistaIntervalo para os comerciais: como me disse pessoalmente o , a Paulista é só uma Avenida, a Alameda Santos é lindamente arborizada mas cheia de gente que só vive de aparências e a Frei Caneca e a Rua Augusta…err, prefiro não comentar. São Paulo é uma metrópole - de um modo ou de outro, todas as metrópoles são iguais: interessam culturalmente, mas tirando-se isso só resta…a metrópole…com todos os seus problemas e sua feiúra explícita. E já que falei em cultura, diga-se que o que valeu mesmo na cidade foi as duas horas dentro do Masp - um acervo de respeito com um curadoria bem interessante, capaz de alinhar diferentes obras em uma única temática para montar uma exposição. De resto, não vi quase nenhuma atração de São Paulo. A ponte Estaiada é enorme, o Theatro Municipal é lindo, o Viaduto do Chá uma graça, a Estação Júlio Prestes um arroubo, o Minhocão é medonho, mas vi isso tudo no melhor estilo city tour - uma prática turística que, todos sabem, nasceu inspirada na famosa piada dos dois tomates atravessando a rua.
“Olha, o teatro! Que lindo!”
“Teatro?!? Onde?”
Você se sente um retardado porque não viu nada.
São Paulo - TremVamos nos encaminhando ao grande evento. E pra chegar lá eu usei os trens. Ainda que seja um transporte interessante, há mais críticas que elogios. Alguns carros são o diabo de lentos e suas chegadas e partidas não são tão frequentes quanto as do metrô. Por conta disso, achei que assentos nas estações seriam mais do que necessários, mas não havia nenhum por onde passei - lamentei aquele mundo de gente, que passou o dia inteiro trabalhando e ainda fica uns 20 minutos em pé esperando chegar o próximo carro. E por falar na quantidade de pessoas, é mais gente querendo entrar na condução do que espaço dentro dela - é um tal de empurrar pra ver se entra, e um tal de se ficar espremido no meio de uma pá de gente que você já repensa o status do ônibus no mundo do transporte urbano. Mas há um elogio: ao menos nas estações pelas quais passei, só vi oficial de polícia de encher os olhos d’água - de onde tiraram aqueles homens lindos pra ficar cuidando de estação de trem, e para quê, eu não faço idéia. Deve ser pra manter todo mundo anestesiado pra evitar qualquer menção de um incendiamento básico nos coletivos por protesto. Engraçado que, em uma das vezes que tentei fazer algum malabarismo em meio aquela vida de sardinha pra ver a cara do policial que estava quase encostado na janela do trem, percebi que o rapaz que estava na minha frente fazia exatamente o mesmo. Ele se deu conta pelo reflexo na janela que eu notei e tentou disfarçar, mas eu olhei pra ele, que era o tipo de suburbano do qual você não esperava tal ato falho e pensei: “Considere isso uma lição. Na próxima seja mais discreto.” E desci para ver o show do Muse.
Esperando para entrar fiquei conferindo a fauna da fila: diferentemente do que possa acontecer com outras bandas, achei os fãs do Muse uma gente com a cara mais normal do mundo, muito distante da bandalheira poser que integra o público de muitas bandas da atualidade - é sem dúvidas um pessoal interessante, que entende de música, vestido com bom-senso, tranquilo e inteligente. Ah, e tem um plus aí: e não é que tem um número considerável de gatos em meio aos fãs dos britânicos? Eu topava casar com pelo menos uns 15 dos que cheguei a ver na fila - porque vamos combinar que homem bonito e com bom gosto musical é o mesmo que ganhar na loteria.
E adentrei o recinto. Do lugar onde fiquei, no segundo andar da casa, a visão do palco era fantástica - pensei imediatamente que valeu cada centavo gasto no ingresso pra não estar vivenciando por horas na pista o mesmo que vivenciei no trem. Agora era esperar o show começar. Logo a turma lá embaixo, que ia entrando em doses homeopáticas até lotar a casa, pouco antes de Muse entrar no palco, ensaiou uma animação. Como era cedo eu pensei, “mas, quê??”. Aí lembrei que, na fila, ouvi do senhor dono da comunidade Muse Brasil no Orkut, que estava logo a minha frente, que Jay Vaquer ia fazer a abertura. Pensei, “Ai, porra. Canta metade de uma música, diz obrigado e vaza, faz favor!” Mas foi mais do que uma música - uns 30 minutos, eu diria. As canções do rapaz até que são bacaninhas e ele canta bem, mas elas tem um ranço daquele rock “adolexentchí” que infesta o mundo hoje, o rapaz tem péssima presença de palco e vez ou outra ele desafina um bocadinho - mas admito que ele pode surpreender com o vocal, já que em certo momento ele ajoelhou e segurou um falseto estridente que eu pensei que a bicha fosse explodir em pedacinhos no palco. “Tá, viado. Você já apareceu. Agora sai, coadjuvante”, pensei. E o público foi simpático e agradeceu - inclusive eu, civilizado que sou.
Muse - São PauloAinda bem que foi até rápido tirar a tralha musical do rapaz e arrumar o palco para a verdadeira atração da noite. O montagem não era nada mais além de um telão e os instrumentos do trio britânico. E não era preciso mais do que isso mesmo: quando a banda entrou, ao som de uma peça clássica fantástica, todo mundo, inclusive eu e a adolescente que estava sentada na mesa comigo, acompanhada dos pais modernetes, caiu numa histeria-êxtase-delirante-coletivo. Minha garganta já estava baleada com a rinite recente e a poluição de São Paulo, mas pensei: “Meu, foda-se a minha garganta! Eu vou é gritar e cantar o show inteiro feito um condenado à morte estrebuchando nos seus últimos estertores de vida”. E com o quê, por deus, eles abriram a apresentação? “Knights of Cydonia”. Eles queriam ver toda a área VIP desabar em cima do público logo no início do show, ah, queriam. Se eu morresse na queda, só ia morrer infeliz por não ter visto o show inteiro - porque morrer ao som de “Knights of Cydonia” é uma morte dignamente apoteótica, fiquem sabendo. Apesar de tremer feito o território da China, o segundo andar não caiu na geral e pude conferir porque os três garotos britânicos foram apontados por deus e o mundo na crítica musical como os detentores da melhor apresentação ao vivo no rock da atualidade em todo o planeta. Matthew Bellamy parecia ainda mais baixo e magrinho naquela camisa vermelha, mas na hora que o rapaz abre a boca e toca na guitarra, cresce feito Golias e ninguém consegue fazer outra coisa se não cantar com ele cada verso da canção, chegando ao ponto até de cantar o incantável na faixa de abertura, imitando a guitarra com a voz - e isso se repetiu por várias vezes durante o show, incluindo aí imitação de piano, baixo e bateria. Uma demonstração de que o público há muito esperava por ver os rapazes no Brasil - e a banda notou isso, respondendo com uma energia fabulosa no palco. Muse - São PauloMatthew exibia-se enlouquecido na guitarra e piano, mostrando uma destreza inigualável, Cris, mesmo sendo o mais fleumático e tímido da banda, sapateou no baixo e fez o público perder as estribeiras no backing vocal da eletrizante “Supermassive Black Hole” e Dominic só faltou usar a cabeça como baqueta na bateria, exibindo uma habilidade nada menos que formidável - por sinal, ele mostrou-se, como já era esperado por todos, o mais comunicativo da banda: além de soltar diversos “obrigado”, Dominic ainda fez questão de ir ao microfone antes de deixar o palco para agradecer toda a vibração do público - que, obviamente, entrou em um estado “gozante”, se é que ainda havia o que gozar depois de duas horas de um show que não foi menos do que irresolutamente impecável, cujo setlist concentrou-se em faixas dos discos Origin of Symmetry, Absolution e Black Holes & Revelations. A vibração foi tamanha, tanto do público quanto da banda, que eu pensei várias vezes durante o show que quem estava lá fora do HSBC Brasil devia pensar que aquilo era uma arena romana, tomada por loucos que estavam entregando centenas de pessoas para ser devoradas por leões lá dentro. Ou pensava que aquilo só podia ser a gravação de um filme pornô apresentando uma suruba com pretensões de figurar no Guiness Book como a mais numerosa da história. E eu não duvido que a rua não estava tremendo devido ao incessante pulo sincronizado do público que lotou do primeiro ao último andar da casa.
A viagem foi sofrida, mas Muse ao vivo foi, assim, como vou dizer, uma experiência de vida - fez todo o esforço valer a pena e ainda fiquei com saldo a dever. Por isso é que eu digo: ser mãe o caralho - a melhor sensação do mundo é mesmo a de conferir um espetacular show de rock, porra.
Câmbio, desligo.

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“Muse-me, Baby! - Parte 2″ ou “Flâneur, cadê meu Les Fleurs du Mal?”

30 de July de 2008

Muse - H.A.A.R.P.Hoje à noite estarei saindo rumo à São Paulo para conferir um dos shows de rock mais esperados que já tenho notícia: a apresentação de amanhã, no HSBC Brasil, da banda britânica Muse, um trio fabuloso formado por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard. Não espero nada menos do que uma apresentação espetacular, de causar uma histeria coletiva no público, recheada de lágrimas e gritos de euforia absoluta à cada ápice sonoro das composições do trio. Apesar de conhecer muito bem a banda, o show vai ser uma completa surpresa para mim: não me informei sobre as características desta turnê, sobre o possível setlist, sobre a expectativa da banda, sobre absolutamente nada. Não quero, de forma alguma, ter uma programação prévia sobre o que vai acontecer durante o evento - quero é desfrutar da sensação de surpresa a cada momento da apresentação. Eu me conheço: assim o acontecimento vai ficar bem mais registrado na minha memória.
Até mesmo a viagem em si vai ser um registro novo: nunca pisei em São Paulo. Claro, não sou idiota a ponto de não ter me informado sobre roteiros, transportes, ruas que vou utilizar, mas desconheço a dimensão real da cidade. Acho que sou vou ter idéia disso realmente quando estiver, segundo minhas projeções de roteiro, subindo as escadas da Estação Trianon de Metrô, me encaminhando para o MASP e me deparar em plena Avenida Paulista. Aí, eu aposto, não tem como você não ser de alguma forma atingido pela tamanho dessa megalópole - para o bem ou para o mal. Pretendo visitar algumas outras atrações, como a Estação Júlio Prestes e a Catedral da Sé, mas tudo depende do tempo que as coisas vão tomar - e, experiência conta, quando você está se divertindo, o tempo corre como condenados em fuga. Se o pouco planejamento ajudar, e com alguma sorte, devo ver metade do que eu desejaria. Contudo, se eu ver que o tempo está realmente com uma pecha pela esquizofrenia, vou é fazer como manda a tradição da ex-prefeita da cidade: onde quer que eu esteja, vou relaxar e gozar, num fluxo exato oposto ao de tudo o que vai estar ao meu redor e, paradoxalmente, buscando mimetizar um flâneur subtropical que nem Baudelaire vislumbraria conceber, misturando-me ao “corpo” e ao fluxo dessa cidade-concreto. Tá certo, eu paro com isso agora. Vou seguir o conselho de Sten Egil Dahl em “Reprise”: “não tente ser poético”.
Bem, agora é aproveitar o que puder porque, Muse e São Paulo fecham o meu projeto-de-férias. Já no ânimo do show e no desânimo do evaporar do meu descanso, vou dizendo: “I feel my world crumbling”.

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Tim Festival Curitiba: Hot Chip, Björk, Arctic Monkeys e The Killers!

3 de November de 2007

Tim Festival -Eu e meu ingressoDepois de termos conhecido, pela manhã, a Ópera de Arame - onde tratei logo de pegar meu ingresso para evitar atribulações a tarde - e passeado pelo Parque Tanguá - realmente lindo - e Parque Tingui, com o seu austero memorial Ucraniano, famos a procura das acomodações de minha amiga e seus pais, mas acabamos nos perdendo no trânsito surreal do centro de Curitiba. Até entender onde acaba a mão única da avenida Marechal Floriano, que tem sentido contrário à sua numeração, foi mais de hora. E como o hotel de trânsito do batalhão ficava bem longe do centro, no bairro do Boqueirão, e o ônibus Mateus Leme teve uma demora absurda para sair, chegamos no local do Tim Festival por volta das 16hs40min. Nisso, com os portões ainda fechados - o que eu já desconfiava, é óbvio - a fila já tinha dobrado a primeira esquina e terminava na esquina da rua que circunda os limites do parque. A fila, que crescia continuamente, andava um bocadinho de tempos em tempos, a cada 20 minutos, eu suponho. Até chegarmos na outra esquina já passava das 18hs30min e foi só então que eu entendi que a demora era por conta da revista do público. Dali conseguíamos ouvir alguma coisa tocando lá dentro, mas eu jurava que era som mecânico apenas, capaz que iam começar o show com metade do público ali fora e atraso na abertura dos portões…pois bem. Ao passar pela revista, tive uma bisnaga de remédio, com líquido para umidificar as lentes de contato, barrada. Minha amiga ficou sem sua caneta. E qual não foi a surpresa, ao finalmente entrar na Pedreira Paulo Leminski, e descobrir que o que estava tocando o tempo todo era o Hot Chip e que eles estavam apresentando as duas últimas músicas do seu show? Fiquei com ódio profundo da organização do Festival, no que tange à admissão do público, por três motivos: primeiro porque eu paguei para ver todos os 4 shows da noite, e acabei vendo só 3; segundo porque eu cheguei depois do horário previsto para a abertura do portões sim, mas a abertura atrasou mais do que nós; terceiro porque na revista eles não deixaram passar coisas como a minha bisnaga de líquido de lente de contato e canetas - por questões de segurança, eu entendo -, mas logo descobri, pelo cheiro inconfundível, que em todo canto tinha gente fumando maconha.
Mas chega de comentar o pré-show. Nas duas únicas músicas que tive oportunidade de ouvir, descobri que o Hot Chip, apesar de soar chato em seus discos, é muito divertido ao vivo - fiquei com muita pena de ter perdido o show dos rapazes. Achei a coisa tão bacana ao vivo que vou dar uma segunda chance à eles e tentar ouvir novamente os seus discos.
Tim Festival - BjörkTão logo eles saíram iniciou-se a montagem do palco para Björk. Faixas com desenhos de um peixe, de uma ave e de um lagarto ao fundo, telas de plasma/LCD no chão do palco e instrumentos e aparelhos devidamente colocados em pouco mais de meia-hora e entrou o grupo de mulheres que faz o combo de coro e orquestra de metais devidamente paramentado, com uma fantasia que incluía uma bandeirinha pendurada em cada uma delas. E Björk entrou, trajada em uma vestimenta de tom verde predominante, e em instantes já estava cantando “Earth Intruders”. E aí eu e minha amiga percebemos - seria difícil não notar - que o som não foi devidamente equalizado, o que fez os graves saírem das caixas estourando e abafando completamente a voz de Björk, que já estava com o volume bem baixo. Isso durou pelo menos umas 6 músicas, destruindo pelo menos um terço do show - se não for toda a metade dele. O problema só começou a ser resolvido gradativamente depois que ela cantou a tranquila e silenciosa “Mother Heroic” - para minha surpresa e delírio, pois jamais pensei que ela resolvesse cantar esse B-side de Vespertine…confesso que não segurei a emoção e cheguei a chorar. Daí pra frente, alguns momentos foram realmente espetaculares, como a diversão de ouvir “Innocence” e “Wanderlust” ao vivo, a delícia de ouvir e ver os requebros e a emoção de Björk e do público durante “Hyperballad” e a agitação louca e incontrolável da islandesa e da platéia durante “Pluto” e “Declare Independence”. Não foi o meu show dos sonhos de Björk, mas teve alguns flashes dele, sem dúvidas.
Pouco depois de ela e sua trupe abandonar o palco, foi feita uma limpeza para a montagem dos aparatos dos britânicos do Arctic Monkeys. Apesar de simples, a decoração ficou muito bonita: um grande pano branco brilhante tomava o fundo do palco, enquanto alguns pequenos pedestais com lâmpadas laranjas foram colocadas ao lado de onde ficariam os músicos. Depois de mais de 30 minutos eles entraram, e o Arctic Monkeys mostrou que é uma banda competente, com uma técnica muito apurada. Mas, faltou algo. Apesar de ao vivo as canções do primeiro disco soarem mais animadas, antes da metade do show eu comecei a ficar cansado por conta da pressão contínua da sonoridade, sempre mantida no alto, em velocidade máxima, o que acaba deixando as músicas absurdamente parecidas entre si. Foi bacana ver e escutar ao vivo “Brianstorm”, “Balaclava”, “Teddy Picker” e “Old Yellow Bricks”, mas eu não consegui me animar tanto quanto me animei nos melhores momentos de Björk, e até mesmo nas duas únicas coisas do Hot Chip que tive chance de ouvir.
Quando eles saíram eu resolvi fazer minha única visita ao toalete - ou, como definiu minha amiga, o “banheiro de ácido” - antes do The Killers entrar no palco. Na volta resolvemos mudar de lugar, prostrando-nos mais à esquerda da torre de controle do palco. De lá a visibilidade era bem melhor do que no local que estávamos até então, apesar de que desejava estar sempre mais próximo do palco. E quando chegamos ali, boa parte da estrutura do palco para a banda americana já estava montada: pequenas lâmpadas, como as de árvores de natal, flores, caixas de madeira, como aqueles engradados de bebidas, e um grande letreiro com o nome do último disco, sobre um fundo preto emoldurado por outro fundo vermelho. Alguns críticos chamaram de cafona, eu digo que estava absolutamente lindo, em perfeita sintonia com as diversas citações que a banda fez no último disco. Não muito depois, sobre ruídos estranhos e graves, entrou nos dois telões o vídeo com algumas imagens que lembraram a arte do sengundo disco da banda - tudo estava pronto.
Tim Festival - The KillersE quando a banda entrou, entoando a faixa título do mais recente álbum, Brandon Flowers, com um figurino impecável, lindo como um lorde, mostrou toda sua simpatia, animação e domínio de palco - e nós do público respondemos com uma alegria e agitação surpreendente, mesmo depois de inúmeras horas em pé tanto na fila para entrar quanto durante os três shows anteriores. A cada música fabulosa Brandon agitava-se sem parar, do teclado para o microfone, de um lado ao outro do palco, oferecendo sem o menor pudor sua interpretação magistral e quase teatral das canções, ajoelhando-se no palco, subindo continuamente em uma das caixas de madeira para exibir-se por completo para todos e lançar seu delírio quase religioso ao público. E os fãs, e mesmo os não fãs, responderam prontamente, de forma incontida e emocionada, cantando do início ao fim muitas das faixas junto com Brandon e sua turma, pulando e agitando os braços deliciosamente tanto quanto o fazia o vocalista da banda. Foi, sem qualquer resquício de dúvidas, a melhor apresentação da noite e, para muitos, até mesmo para veteranos em shows como minha amiga, um dos melhores shows de toda uma vida - sem medo de soar deliciosamente exagerado, como o faz a banda de Las Vegas. Foi tudo tão perfeito que fica até difícil eleger o melhor momento do show, ou destacar alguns - seria uma injustiça fazê-lo por deixar outros tantos momentos igualmente emocionantes de fora.
Na volta, sem um ônibus sequer até o centro da cidade, só nos restou, pra lá de alquebrados, caminhar até lá, ignorando os táxis que relutavam em parar em outro lado que não fosse o esquerdo da avenida. E enquanto íamos todos, a passo de múmias e mortos-vivos, mas felizes da vida, atestávamos, pelos comentários do público gigantesco ao nosso redor que invadiu a rua que levava de volta ao centro de Curitiba, que todos, mesmo os que estavam ali para outros shows, tiveram a mesma impressão sobre o The Killers - a banda ganhou o público todinha para ela, arrebanhando muitos novos fãs e concedendo naquela noite de Halloween, com céu absolutamente estrelado, uma performance de arrepiar a espinha até do próprio diabo. Ninguém tão cedo vai esquecer esse show que está até agora na minha cabeça - e de muitos outros - e foi capaz até de me fazer olhar novamente para o segundo disco, que não considerava tão bom, mas que agora revelou-se em toda sua beleza descomunal.

Fez valer o desgaste descomunal de cada ossinho do meu corpo e a pane exaustiva de cada fibra muscular. E eu quero casar agora com o Brandon Flowers - mas pelo que vi no Tim Festival, vou ter que entrar na fila e enfrentar uma concorrência bem numerosa!

Mais alguém aí foi no festival? O que achou?

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Tim Festival - Etapa Curitiba: amanhã!

30 de October de 2007

Tim Festival - Etapa CuritibaSim, eu estarei saindo do Florianópolis cedíssimo, pela manhã, para trafegar por Curitiba por algumas horas com minha melhor amiga e seus pais e, junto com ela, rumar para a Pedreira Paulo Leminski lá pelos idos do meio da tarde - não pode ser MUITO tarde porque ainda vou ter que enfrentar a fila da bilheteria para, só então, encarar a fila da entrada do local do show em si.
Fora minha hiper melhor amiga, exigentíssima como poucas em tudo - inclusive no que tange ao mundo da música - só terei mais uma pessoa conhecida por lá - a ex-namorada de meu irmão, uma garota antenada, inteligente e bacana demais. Assim como eu, fã incondicional de música. Já é o bastante - eu realmente não curto aqueles programas que mais parecem caravana para algum programa do Sílvio Santos - o que não quer dizer que eu vá ser antipático com alguém aí que queira passar por lá - se for possível ser encontrado em meio a tanta gente - para dizer um “oi” e bater um papo antes das atrações. Aliás, pelo que noticiaram os jornais, com relação às etapas São Paulo e Rio do festival, talvez nem apareça tanta gente assim para conferir os shows. Pensei até em fazer uma camiseta do blog para fazer uma publicidade básica, mas achei isso meio tolo e deixei para uma outra ocasião qualquer.
A expectativa não é assim tão IMENSA, mas aguardo bons shows. Björk, claro, tenho ânsia de conferir, e imagino que vai ser um grande show, por mais curto que seja - e provavelmente será. Arctic Monkeys, pelo que comentaram, vai trazer uma performance burocrática - boa, sem dúvidas, mas um tanto fria e calada, dizem. Eu realmente não espero tanto, já que realmente só gosto do segundo disco da banda britânica, mas tomara que me surpreendam. Já The Killers, imagino, vai ser um show recheado de simpatia, principalmente do vocalista-gatinho Brandon Flowers. As músicas da banda, principalmente as do primeiro disco, são fabulosas e completamente orgásmicas e, mesmo que no segundo álbum a energia tenha caído um pouco, só as canções do primeiro já são metade do trabalho para uma performance fabulosa. Estou muito animado com todos eles - mas, pra ser sincero, sabiam que acho que fiquei mais animado com os shows do Placebo e The Cardigans? Devo estar com febre - ou são os incômodos garantidos do meu trabalho na semana que vem que estão tirando o meu tesão. De qualquer forma, acho que vou esquentar quando já estiver por lá!
O único senão será aguentar o Hot Chip abrindo o festival - pessoal, juro que tentei gostar da banda, mas não deu. Eles são, digamos, anêmicos demais para o meu gosto - altamente modorrentos. Mas, como há depois três atrações que interessam, vale o esforço!
Então, nos vemos lá. Apareçam pra dar um oi - se vocês me encontrarem, claro!

OBS: é bem provável que os textos da semana sejam afetados pela tempo que esta viagem vai me tomar. Vocês vão compreender se eu não publicar tanta coisa essa semana, não? :roll:

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Festival Campari Rock: The Cardigans.

9 de September de 2006

The Cardigans - Festival Campari RockE chegou o momento.
Aquele lugar tinha mais filas do que posto da Previdência Social: fila para ingresso tradicional, fila para ingresso online (eu ali), fila para VIPs, filinha para imprensa (eu, sinceramente, desconfio que há assim tanta gente de imprensa em Florianópolis para acompanhar esse show…). A fila dos ingressos online estava mais lenta do que procissão espanhola, então quando entrei de fato no recinto uma banda local já tinha se apresentando - foi sorte?
Bem, ao entrar ganhava-se um vale Campari Energy. Mas, o que vem a ser esta exótica bebida? Bem, vou tentar explicar com o mínimo de ironia possível, visto que já não bebo álcool nem fumo. Era assim: copo. gelo, metade do copo de Campari e metade de um Flash Drink, um energético qualquer. Fiquei decepcionado, se é que é possivel me decepcionar ainda mais com alguma bebida alcoólica. Então era só misturar Campari com uma coisa em latinha que eles abriam na hora? Tá bom, dispenso. Bebi o negócio intragável e segui para o espaço de show.
Depois de algumas atitudes necessárias que todos devem fazer quando chegam num lugar desses - evito comentar - me dirigi lá para frente. E consegui. Não fiquei enconstado na grade, mas fiquei a coisa de um metro e meio dela. Na cara do palco, portanto. Uma vez lá, vi que se apresentava uma das bandas locais, tal de Samambaia. O vocalista, por sinal, me soava parecido com um cara que se julgava muito cool e que via no ônibus de vez em quando, há muitos anos, quando morava na periferia e onde morava até o ano passado. Meu irmão tratou de confirmar, mais tarde, que era ele mesmo. Nunca fui com a cara do dito cujo, mas, verdade seja dita, ele era a melhor coisa da banda - divertidíssimo ele. O cara não tinha vergonha nenhuma de ser um bobo no palco, requebrando-se, soltando a franga e fazendo caras e bocas, ironizando em sua performance a infundada pretensão que estas bandinhas costumam ter. Eu fiquei rindo o tempo todo. Refletindo que trata-se apenas de uma bandeca local, não há porque eles mesmos se levarem à sério, há? Foi isso que gostei neles, eles tem noção do que são, e, portanto, tratam apenas de se divertir no palco. Mas chega dessa nóia. Em seguida veio o tal de DellaMarck. Jesus abençoado, eu não consigo saber até agora se o vocalista era homem ou mulher - um homem ou mulher hediondo, diga-se. Eu não entendi uma sílaba sequer do que essa criatura cantou durante sua apresentação e, como comentou a garota simpatíca com quem eu fazia piadas o tempo todo, até o momento do Cardigans chegar no palco, era melhor mesmo não entender coisa alguma. E chega desses andróginos que juram pela mãe deles que são hardcore. Chegou o momento esperado? Que nada, Gang of Four tocou primeiro - saquinho. Eu não fazia idéia que se tratava de uma banda de dinossauros, mas era uma banda bacaninha, com energia e som legaizinhos. Fica aqui o registro que esses caras beberam na fonte do Talking Heads, ok? E quando o vocalista trouxe para o palco um taco de baseball e um microondas Sanyo 30 litroseu tive certexa disso. Para compor - bem na linha Talking Heads - o estilão “mamãe, somos indies”, ele fez parte do som da bateria esmurrando o microondas com o taco de baseball. E eu aqui em casa louco para ter um forninho 30 litros desse! Se ele não queria mais, porque ele não deu o item para quem estava precisando, heim? Judiação, ora vejam. Mas enfim, a banda era bacaninha - nada além de bacaninha - mas não fazia muito o estilo da maioria do público ali.
Então, SAIAM COADJUVANTES!!!!!
E começou a arrumação de praxe no palco. E não é que, de repente, aparece o Bengt para colocar ele mesmo uns pratos na bateria e dar uma averiguadinha básica? Todo mundo delirou! E ele ali, se achando apenas um contra-regra, Jesus amado! E ele voltou para o backstage.
Mas, não levou muito tempo eeee a BANDA ENTROU!!!
Primeiro o Bengt, depois o Magnus, o Lars e o Peter, todos preparando o terreno com “In The Round” para, por último, a entrada da Nina!!
Aí todo mundo foi a loucura. A banda começou meio devagar, mas sentiu que tava todo mundo ali à espera deles, plena 3 horas da matina, e o público todo cantando certinho cada verso da música junto com a Nina. Aí, não teve jeito, a banda sentiu a energia do público e eles se animaram. Aí rolou uma emplogação tão grande que aconteceu de um tudo, inclusive a Ilha do Cascaes mostrando a qualidade paupérrima do material. Primeiro o Peter subiu na base do teclado e bateria para se animar lá com a Nina e o Lars e, na saída, caiu um tombo de costas no palco, tocando a guitarra e tudo. A Nina e o Lars se mataram de rir, mas o público deu apóio e fez que não era nada. Tadinho do Peter, ele é uma gracinha! Depois, a Nina, animada durante uma das músicas, socou o pedestal do microfone no chão e sentiu que aquilo não deu muito certo e disse para nós, sempre sorrindo: “This is not strong!”. Foi aí que, durante a música, um dos contra-regras (dá para chamar assim num show?) se ajoelhou aos pés da Nina e ficou consertando o estrago. Ela, fofíssima e pra lá de simpática, simplesmente abaixou uma das mãos e ficou acariciando a orelha dele!!! Que lindo!!! Todo mundo amou - e o contra-regra deve ter amado mais ainda, claro. Depois disso ela comentou que tinha conversado com ele naquele dia algo que eu não consegui entender o que era, por conta do barulho no momento. Por último, lá pela parte final do show, o Magnus sentou-se no chão e ficou tocando ali um pouco…quando ele levantou a Nina olhou para o público, apontou para o chão e disse: “Ladies and gentlemen, there is a hole on the stage!”. Todo mundo virou o cabeção para olhar, é óbvio. Mas a banda estava muito animada e feliz com a energia da apresentação, e não se incomodou com nada disso, levando todas essas adversidades com bom humor - inclusive quando a produção tratou logo de levar um tapume imenso para cobrir o buraco no palco!
Bem, eu até leve a câmera fotográfica da ex-namorada do meu irmão, mas como se trata de um modelo daqueles Sony P-72 que já podem ser considerados antiquésimos, aí, já viram né? Parece foto de estrela ou galáxia feita por um teléscopio. “Olha, é a Nina”. “Esse borrão aqui? Nunca!”. Fiz uns vídeos também, mas a qualidade é só ligerimente acima de 4 e meio. Dá para ver, por exemplo, o momento que o Magnus sentou - e esburacou o palco - e quando o Peter, logo depois, foi lá tapar o buraco com um pano - que amor ele!!!! Para quem quiser arriscar, aí estão eles, via YouTube para assisitir. O setlist segue antes - foi mais ou menos este, captado no Orkut, visto que minha euforia era tanta que não deu para lembrar a ordem exata. Mas deve ter sido isso mesmo.

1.In The Round
2.Rise and Shine
3.You’re the Storm
4.Little Black Cloud
5.Erase and Rewind
6.Hanging Round
7.Don’t Blame Your Daughter
8.For What it’s Worth
9.Live and Learn
10.Lovefool
11.Godspell
12.I Need Some Fine Wine
13.My Favourite Game
Bis:
14.Communication

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