Textos etiquetados como ‘rock americano’

Rachel Yamagata - Elephants…Teeth Sinking Into Heart. [download: mp3]

12 de Outubro de 2008

Rachel Yamagata - Elephants...Teeth Sinking Into HeartQuatro anos separam Happenstance, o disco de estréia de Rachel Yamagata, de seu mais novo lançamento, o álbum Elephants…Teeth Sinking Into Heart. E não há como não chegar à conclusão de que o tempo fez muito bem à artista: enquanto no primeiro a garota criou algumas boas faixas com enorme potencial de hits instantâneos, mas que não conseguiam ir mais fundo do que isto, neste seu segundo álbum Rachel traz à tona canções cuja sofisticação melódica, sabe-se, foi fruto de um amadurecimento que só se atinge com tempo suficiente para refletir e polir melhor aquilo que é gestado.
“Elephants“, a faixa que dá título ao primeiro disco deste álbum duplo, assim dividido por ser composto de duas atmosferas musicais distintas, é o retrato exato do aperfeiçoamento atingido por Rachel no cerne emocional das canções que compõe toda essa primeira parte de sua nova criação: para sonorizar a brilhante analogia entre as amarguras do amor e a selvageria predatória da cadeia alimentar das selvas, a garota explorou reverberações melancólicas em acordes de guitarra e piano, lançando mão também de uma bateria de andamento lento e pesairoso e de uma orquestração que preenche a melodia com matizes ainda maiores de sofrimento e mágoa. “Sunday Afternoon” é outra canção em que Yamagata e o produtor Mike Mogis operam com o emocional da canção sem resvalar um milímetro sequer da exacerbante classe e elegância que são a marca maior da primeira parte do álbum: guitarras de vibrações idílicas, bateria sorumbática, violão de acordes metálicos e uma orquestração de suave fulgurar tecem, na primeira parte da canção, nuances substancialmente pastorais que aos poucos são revertidas em um arranjo mais vigoroso e levemente sensual, finalizado por uma sequência plácida e serena. E apesar do trabalho primoroso no arranjo, muito da experiência fabulosa despertada ao ouvir a música é produzido pelo vocal da americana, que exprime a dor e tristeza de alguém que confessa tentar, de uma vez por todas, abandonar um amor que só lhe causa sofrimento cada vez maior - é a faixa que com mais intensidade sintetiza a atmosfera atormentada do disco.
Porém, ainda que ela subsista em todas as canções, essa atmosfera é suavizada em alguns tons em algumas faixas do disco, particularmente nas baladas. É o que ocorre nas canções “Over and Over”, que como a maior parte das músicas da primeira metade do álbum abusa do infalível arranjo de cordas, mas sem nunca deixar de apostar no protagonismo dos acordes de piano e bateria que exalam aroma de inequívoca paixão, e na extrema simplicidade de “Duet”, que emprega apenas um violão de acordes suaves para a composição harmônica que acompanha o vocal de Rachel e seu convidado, o cantor Ray Lamontagne.
Mas este é um álbum duplo, e o contraponto à melancolia rascante do primeiro disco é o furor faiscante de Teeth Sinking Into Heart, a segunda parte, composta de canções de um rock profuso, como se confere na fartura de guitarras, baixo, bateria e múltiplas camadas vocais de “Sidedish Friend”, na qual é declarada à aversão à qualquer tipo de compromisso afetivo, e na rítmica mais fechada e menos aguda produzida pela guitarra, bateria, baixo e marimba da faixa “Pause That Tragic Ending”, cujo acabamento é dado pelo arranjo de cordas algo febril.
Muito além do fato de que a artista explora as gradações de seu potencial artístico em cada uma das partes do disco - não há algo de muito novo nisso, pois Happenstance já encerrava no seu interior tanto a placidez de Elephants quando o frenetismo de Teeth Sinking Into Heart -, o grande diferencial deste novo lançamento para o primeiro é o testemunho de que o requinte que florescia na estréia foi tão aprimorado e amadurecido que ele torna-se palpável da primeira a última nota do álbum. Por isso que, diferentemente da própria Rachel, eu não me surpreendo que uma das maiores gravadoras do mercado dê suporte incondicional à um disco que se dá ao luxo de trazer uma faixa de quase dez minutos de duração. Posso apostar que para a Warner Records, o valor da artista não é o das cifras que ela possivelmente reverta nas vendas ou na popularidade que suas canções possam ganhar no rádio, TV ou cinema, mas o fato de que a presença de Rachel é um reforço considerável ao cast de artistas de primeiro escalão da gravadora, agregando ao selo a qualidade inquestionável de seu trabalho - algo bem mais duradouro do que o dinheiro fácil feito com o “gado” que compõe a maior parte dos contratados da indústria da música.
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Agradecimentos ao , que por vezes incorpora o meu feed musical.

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Duncan Sheik - Phantom Moon. [download: mp3]

21 de Agosto de 2008

Duncan Sheik - Phantom MoonEu já disse por vezes aqui que alguns artistas e discos levam tempo pra crescer entre minhas preferências. Alguns eu conheço e ouço há anos, mas quando perguntado do que eu gosto, não chego a citá-los prontamente porque não atingiram ainda o ponto em que podem ser considerados artistas favoritos. Contudo, há pouco um deles saiu da minha lista de ostracismo cultural e se aproximou dos que perfazem as minhas preferências - o cantor e compositor americano Duncan Sheik. De todos os discos que lançou, só ouvi até hoje seus três primeiros álbuns - onde seu trabalho exibe uma enorme atmosfera pop/folk -, e apesar de que Humming é o que mais escutei, foi Phantom Moon que me fez olhar novamente para o artista, de lá de seu local de repouso na minha cultura musical. O disco é um trabalho requintado e cuidadoso tanto de melodias quanto de letras - estas, por sinal, escritas pelo dramaturgo e poeta americano Steven Sater -, nas quais ainda que variem consideravelmente em tonalidade e intensidade, acabam por compor um todo de homogênea melancolia. Na faixa “Mouth On Fire”, por exemplo, para transmitir na melodia a mesma magnânima estupefação do eu lírico das letras - que vê tudo o que entende e crê perder todo o seu sentido diante do que vive no momento -, Duncan pôs em serviço violões de acordes suplicantes e ligeiros para trabalhar com bateria, arranjo de cordas e com as várias camadas de seu vocal, construindo uma música que só reduz sua densidade melódica sôfrega no seu último minuto e meio. É justamente o oposto do que nos é apresentado em “Lo and Behold”, onde o cantor e compositor se utiliza de piano, orquestração de cordas e da beleza inequívoca de sua voz jovem, macia e pungente para, de modo supremamente fabuloso, construir na música e nos sentidos do ouvinte um crescendo melódico que suplanta de modo inevitável todas as suas sensações - algo que condiz com as letras, inspiradas na enorme emoção de Simão ao ser apresentado à Jesus no no templo de Jerusalém, passagem do evangelho de São Lucas. Em outras canções, no entanto, a variação é menos intensa, já que Sheik cultiva uma sutileza maior no andamento delas. Exemplos disso estão na melodia fulgurante de “Time and Good Fortune”, que com matizes criadas por violas, bateria e orquestrações evoca a placidez de um cenário bucólico esplendorosamente invadido pelos raios do sol, na cadência suave e gentil da guitarra, bateria e piano da balada “Far Away”, que exibe o calor ameno de uma paixão madura, na perfeição do compasso folk/rock graciosamente vigoroso entre violões, órgão, percussão e vocal da faixa “A Mirror In The Heart”, que imprime sensações de revelação e urgência, e na plangente serenidade dos violões e do vocal de Duncan em “Requiescat”, que explora sonoramente a mesma resignação da súplica, nas letras, pela paz de espírito de alguém que se foi, e pelo equilíbrio de quem ficou.
Phantom Moon é nitidamente daqueles discos que não se repetem na carreira de alguém - ficam lá aprumados em sua inatingível superioridade, resultado de um momento ímpar no qual o artista encontra-se imbuído de uma inspiração inigualável. Ao mesmo tempo que isso é uma verdadeira preciosidade para um músico, pelo simples fato de que tal obra foi concebida, também se converte em um empecilho, uma vez que dificilmente se consegue superar, ou mesmo atingir, igual nível de qualidade em obras posteriores. Mas essa busca é, felizmente, o “santo Graal” que é a força-motriz por trás de todas as expressões artísticas, o alimento mais que necessário para sua continuidade.
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Joan As Police Woman - To Survive (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

26 de Junho de 2008

Joan As Police Woman - To SurviveO segundo disco da banda de Joan Wasser não encanta tão prontamente quanto o primeiro, principalmente porque algumas poucas canções, como “Magpies”, um pop-soul setentista com direito inclusive aos vocais de apoio e arranjo de metais que remetem ao estilo da época, ensaiam conquistar o gosto do ouvinte mas se perdem tanto em descaminhos melódicos tão inócuos e aborrecedores, quando não absolutamente irritantes, que acabam interferindo na apreciação adequada das demais faixas do disco. No entanto, superada a irritação que essas canções causam por algum tempo, as outras faixas revelam logo os seus enormes predicados, algumas de modo lento e crescente, liberando paulatinamente sua beleza à cada apreciação - é o que acontece com “To Be Loved”, faixa que envereda de modo mais sutil no mesmo pop-soul nostálgico de “Magpies”, mas que é mais feliz ao ser balanceada com um teclado de cores quentes e um piano de notas graves, ambos dedilhados de modo suave e apoiados por uma guitarra e bateria que aquecem discretamente a melodia tanto quanto o próprio vocal macio de Joan -, outras de modo mais imediato e impactante - como “Holiday”, que une acordes deliciosos no violão, no piano, e na bateria para compor uma melodia ao mesmo tempo ágil e graciosa, que cede bastante espaço para a voz encantadora da cantora americana. Sempre inspirada por referências musicais de décadas passadas, Joan é capaz de compor faixas que lembram desde a romântica melancolia da “new wave” do final dos anos 80 e início dos 90 - falo aqui da esplêndida “Start of My Heart”, cuja música é guiada por uma bateria e baixo de cadência lenta, salpicada por uma guitarra de acordes extensos e serenos e preenchida por uma sintetização que cria ondulações ao ser continuamente sobre e sobposta à instrumentação restante - até ao glamour do pop americano que sonorizou bares, discotecas e qualquer festa que se prezasse há cerca de 40 anos - claro que me refiro à faixa “Furious”, marcada por um compasso ligeiro de bateria e teclado, reforçado por piano de acordes dramáticos e prodigiosos e um coro de palmas que recheia o fundo da melodia, além dos vocais adicionais que adensam ainda mais o nostalgia sonora - tudo, porém, com um sendo de naturalidade e graça que torna esse caldo saudosista algo de muito bom gosto. No final do disco ainda sobra ânimo para um dueto delicioso com Rufus Wainwright em “To America”, que é introduzida por um piano algo desolado e logo subvertida por um arranjo fabuloso que toma de assalto a música com saxofones, guitarras e sintetizações enormemente melódicas e verborrágicas, fechando de modo brilhante este disco que, a esta altura, faz esquecer qualquer possível menção de tropeço que inicialmente o marcasse.
Baixe o disco utilizando o link a seguir e a senha para descompactar os arquivos - e não esqueça de baixar logo depois a faixa bônus “Take Me”, liberada com exclusividade na web aqui pelo seteventos.org.

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Faixa bônus “Take Me” (do single “To Be Loved”):
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My Brightest Diamond - A Thousand Shark’s Teeth. [download: mp3]

8 de Abril de 2008

 My Brightest Diamond - A Thousand Shark's TeethCom boa antecedência, vazou o segundo e tão aguardado disco de Shara Worden, conhecida pelo pseudônimo do seu projeto musical, My Brightest Diamond. Os que esperavam mais da beleza incessante de Bring Me The Workhorse vão se sentir enormemente satisfeitos: A Thousand Shark’s Teeth prossegue desbravando os mesmos caminhos do álbum de estréia, levando ao rock alternativo pitadas consideráveis de influência erudita. Em “Black & Costaud”, por exemplo, a influência foi distribuída em todos os aspectos da canção: as letras reproduzem um episódio da ópera “L’enfant et les sortilèges” de Maurice Ravel, os vocais, trabalhados sobre filtros que pluralizam seu dramatismo, exibem-se gloriosamente teatrais, assim como o arranjo da música, feito de sopros, violinos e todo um sortilégio de instrumentos eruditos organizados em lufadas melódicas rascantes e que divide espaço com a guitarra isolada em toques curtos e graves ao fundo. E assim é em todo o disco, com algumas canções mergulhando de cabeça no erudito - como em “If I Were Queen”, que lembra os momentos mais acústicos e reflexivos de Björk em Homogenic devido à sua melodia elaborada sobre cordas, em tons docemente graves, que oscilam momentos silenciosos e efusivos - enquanto outras exploram a influência de forma suave, em parceira com o rock requintado de Shara - como em “From The Top Of The World”, onde a guitarra e baixo, com seus acordes, e a bateria, com seu compasso, abrem o caminho na melodia para intervenções de cordas e sopros, e como no rock potente de “Inside A Boy”, com bateria, guitarras e baixos verborrágicos e famintos, duelando seu espaço com o vocal e orquestração inquietos da música.
Porém, não há momento no disco de beleza mais avassaladora do que a testemunhada em “To Pluto’s Moon” e “Bass Player”: na primeira, a melancolia melódica exuberante de cordas, harpas e uma cornucópia de intrumentos musicais homegeniza-se à tristeza da bateria, do baixo e de uma guitarra de acordes graves e sofridos que, por sinal, é a responsável pelo brilhante minuto e meio final da música, feito apenas de seus riffs rascantes, sobrepostos de modo fenomenalmente dramático; na segunda, baixo, guitarra, bateria, marimba e sutis orquestrações de sopros e cordas introduzem uma música de tênue sensualidade que ganha força descomunal na sua metade final pela intensificação dos acordes de toda a instrumentação em um crescendo melódico fabuloso que, quando e onde quer que você esteja, anestesia o tempo e o mundo ao seu redor no momento em que você o escuta.
O que mais impressiona, depois de testemunhar a beleza inexplicável de A Thousand Shark’s Teeth, é se dar conta que o projeto foi inteiramente gestado por Shara: não bastasse ser dona de um vocal intensamente emocional, profundo e extenso, a garota ainda compõe as melodias e letras sofisticadíssimas, bem como se encarrega pela produção e pelos arranjos irretocáveis de todas as canções do disco, mostrando que talento ela continuar a ter de sobra, em todos os aspectos da produção musical. Depois disso tudo, só resta dizer que, neste ano, pouquíssimos lançamentos tem chances de se equiparar a transbordante criatividade deste aqui. Provavelmente, o novo álbum de Camille Dalmais venha tomar um pouco do espaço deste ano para si, mas quais são as chances de aparecer algo que supere estes dois discos? Então, que venham os coadjuvantes de 2008: Shara, uma vez mais, mostrou que não basta ser excelente - tem que ser exuberante.

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Sheryl Crow - The Globe Sessions. [download: mp3]

15 de Dezembro de 2007

Sheryl Crow - The Globe SessionsDepois do sucesso atingido com o seu segundo disco, Sheryl deu prosseguimento às suas composições mais voltadas para uma sonoridade pop/rock com o álbum The Globe Sessions, fazendo da discreta tecitura country apenas uma mera citação, como na faixa “Members Only”, com violões, baixos, guitarras e vocal formando uma mesma massa sonora cheia de calor country-rock, orgão ocasional de toques gracejantes e bateria e percussão de cadência leve, que so inicia trotejante e logo acompanha a ritmo alegremente comedido do instrumental restante. Apesar do período de depressão de Sheryl, anterior a gravação do disco, estar refletido nas guitarras sobejantes e na sorumbática mas reluzente orquestração de cordas de coloração oriental de “Riverwide” e no clima quase improvisado das guitarras, órgãos e bateria sofridos, hora conformados, hora transbordando em sentimento em “Crash And Burn”, que fala sobre alguém que, mesmo sabendo que seria em vão, disse adeus à tudo e todos que conhecia na tentativa de esquecer um amor que não deu certo, não se pode exatamente dizer que este é um disco triste. “My Favorite Mistake” - em que Sheryl fala sobre um romance que viveu por alguém que, no fim, descobre que não a amava -, através do seu vocal ao mesmo tempo sutilmente triste e marcado de alegria saudosista e nas suas muitas guitarras, baixos e orgãos de acordes sensuais sobre uma bateria de intensidade suficiente apenas para dar ritmo aos instrumentos restantes, assim como “It Don’t Hurt” - que fala sobre alguém que tenta superar o fim de uma relação redecorando a casa e flertando com o primeiro desavisado que aparece na sua frente -, com o gingado animado de seus violões, guitarras e bateria e seu gaita entusiasmada, dão uma boa idéia desse álbum que fala sobre amarguras, tropeços e tristezas com uma sonoridade mais “pra cima”. Mas a surpresa fica mesmo por conta da faixa “There Goes The Neighborhood”, tanto pelo caráter sonoramente dançante que a percussão e a bateria dão à canção, bastante auxiliadas pelos metais borbulhantemente gritantes e por guitarras de enorme malemolência, quanto pela temática de suas letras, que pinta um painel das bizarrices underground e da marginália dos arredores do Globe Studios, onde Sheryl gravou este disco - e que, claro, acabou dando nome à ele. Pela dificuldade de definir e nomear a mistura de sons e sentimentos, ao mesmo tempo tristes e alegres, amargurados e exultantes, é que pode-se dizer que The Globe Sessions é o retrato do período em que a artista procurava uma saída em meio a uma crise pessoal, vivendo uma instabilidade de estados emotivos que refletiu-se inevitavelmente nas suas composições.

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