Textos etiquetados como ‘reino unido’

Goldfrapp - Seventh Tree. [download: mp3]

6 de December de 2007

Goldfrapp - Seventh TreeDepois de dois álbuns que deitaram, rolaram e esquadrinharam tudo o que possa ser imaginado dentro dos domínios do electro-pop e glam, o duo britânico Goldfrapp fez o que seria mais sensato e mais natural no seu futuro novo disco, Seventh Tree: Alison e Will voltaram sua atenção ao passado, revisitando parte da fabulosa sonoridade esquecida do primeiro disco, Felt Mountain, tentando atualiza-la e fundi-la com toda a experiência recente dos dois últimos lançamentos, Black Cherry e Supernature. Assim, este quarto disco possui uma identidade híbrida, já que em algumas faixas, como “Clowns” - um folk com vocal ininteligível e violões e orquestração de cordas de um frescor campestre -, “Eat Yourself” - que igualmente se baseia em violão e cordas, o primeiro trajado em doçura e nostalgia, as últimas vestidas em elegância e placidez, além da inserção ocasional de esparsos acordes de guitarra e de apresentar vocais sutilmente amargurados - e “Cologne Cerrone Houdini” - cuja música é feita de baixo e bateria de toques espaçosos ao fundo enquanto cintilações da programação eletrônica saltitam aqui e ali e violinos curtos e agudos pontuam a melodia -, a dupla ocupa-se em emular a sonoridade por vezes obscura, em outras coruscante, do álbum de estréia, enquanto em outras - como se pode conferir claramente na música luminosa de “Caravan Girl”, com samplers de pratos resplandecentes, piano e baixo de toques galopantes, bateria de ritmo firme e sintetizações brilhantes e em “Happiness”, com bateria, baixo e sampler de sax em compasso conjunto e bem marcado, pinceladas de samplers e sintetizações frugais e vocais doces e macios - o vigor pop e eletrônico dos dois discos anteriores é retomado de modo bem menos selvagem e subto, com ambiência muito mais pop do que eletrônica. A única faixa do disco que soa estranha àquilo que os fãs do Goldfrapp já viram a dupla fazer até hoje é “A&E”, devido à sua melodia mais tradicional, onde violões, bateria, programação no teclado sutil e mesmo o vocal sensível trabalham de forma a construir uma música que surpreende pela sua linearidade, de um pop simples e direto como dificilmente pensaríamos Goldfrapp se dar ao prazer de fazer um dia - pense em algo como Dido e você vai entender mais ou menos o que eu quero dizer.
Seventh Tree funciona muito bem, seja como um disco que suaviza os contornos da parafernália sexy e explosiva de Black Cherry e Supernature, seja como uma tentativa de tornar mais comercial a fabulosa idiossincrasia sonora obscura de Felt Mountain - é um mergulho da dupla em oceanos mais tranquilos, menos quentes do que recentemente foi feito, menos profundo e introspectivo do que antes fora.
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P.S:Agradeço ao pelo toque!

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“Contraponto”, de Terry Gilliam. [download: filme]

6 de December de 2007

TidelandJeliza-Rose é uma garotinha tão estranha que, sem o menor pudor, auxilio o seu pai no consumo de drogas. Tão logo sua mãe, igualmente viciada, morre por conta de uma overdose, ela acompanha seu pai na viajem à “Jutilândia”, tão prometida por ele diversas vezes, tendo como primeira parada a casa abandonada de seu avó, jogada em meio à uma paisagem vasta e rústica que alimenta ainda mais a já fantasiosa mente de Jeliza.
“Contraponto”, baseado no livro de Mitch Cullin, tem o mérito de figurar como um dos piores, se não o pior, longa-metragem de toda a filmografia do diretor Terry Gilliam. Seus problemas são unicamente dois, e um derivado do outro - personagens e roteiro -, mas a intensidade deles é tamanha que mais nada dentro da concepção do filme consegue cativar suficientemente o espectador para que uma avaliação minimanente positiva dele seja feita. A lógica da problemática é bem simples de se entender: se os protagonistas do filme - um rockeiro fracassado e viciado cujo momento de maior proximidade com sua filha é quando pede para esta que a ajude a preparar sua dose diária do heroína; uma taxidermista com fobia de abelhas tanto quanto de pessoas, e que só vê como possível estabelecer relações com estas depois de mortas e devidamente empalhadas; seu irmão com problemas mentais, perdido em ilusões marítimas e ambições um tanto quando destrutivas e, finalmente, a gatorinha Jeliza-Rose, que passa seus dias inundando-se em fantasias com as quais cresceu sempre acostumada a confundir com a realidade - falham em despertar a menor dose de simpatia no público, a estória que os envolve, se já não parece interessante - pois apenas retrata as ilusões da garotinha, sozinha na casa abandonada de sua vó e em contato com gente desprovida de qualquer interesse em estabelecer comunicação com a realidade -, tem essa feição ampliada ainda mais pela falta de empatia dos personagens, tornando-se um verdadeiro teste de paciência cinematrográfico. Visto que estes dois aspectos são a base da formação de qualquer bom filme de ficção, fica difícil elogiar qualquer outro componente ou característica de “Contraponto” - mesmo que eles tenham algum vago caráter de qualidade, sua importância frente à dos personagens e do roteiro é consideravelmente menor.
Mas Terry Gilliam é assim mesmo, um homem de extremos: quando o diretor britânico, ex-integrante do grupo Monty Python, acerta a mão, geralmente ele o faz de maneira sublime - como em “O Pescador de Ilusões” e “12 Macacos” -, mas quando ele erra, ele o faz em igual medida, cavando fundo a cova do seu próprio filme. Se ele continuar acertando uma vez a cada dois equívocos, já vale o serviço prestado ao cinema - e como “Contraponto” é o seu segundo equívoco seguido, vamos torcer para que o próximo seja um acerto realmente compensador.

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senha: contempt

legendas disponíveis (português) [via legendas.tv]:
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Coco Electrik - Army Behind the Sun. [download: mp3]

30 de November de 2007

Coco Electrik - Army Behind The SunO duo de electro-pop britânico Goldfrapp tem há pouco mais de um ano a companhia de Coco Electrik, uma banda novata disposta a tomar um pouco do espaço da dupla no campo dos sons cheios de glamour e gingado. Apesar de muitas vezes faltar à Coco - cujo nome verdadeiro é Anne Booty - um bocado da inventividade e charme que Alison Goldfrapp e Willl Gregory tem a esbanjar, ela e seus companheiros de trabalho conseguem, em alguns momentos, compor faixas de ambiëncia deliciosa e sinceramente irresistível em seu álbum de estréia, Army Behind the Sun. E para primeiro single do disco, Coco escolheu o cover dançantemente nostálgico que fez de “Sex Shooter”, canção famosa do filme “Purple Rain”, de Prince. A versão de Coco apela para seu vocal sexy e petulante, com fartas doses de loops de palminhas, frugalidades eletrônicas inundando o refrão e sampler de baixo e beat eletrônico guiando o ritmo libidinoso da música. A faixa seguinte, “Paint It Red”, investe em uma sonoridade mais doce, fazendo melhor proveito da melodia com assobios e com o uso certeiro de alguns acordes sampleados de guitarra e de baixo, que acolchoam a melodia e amaciam o tecido para a entrada do registro vocal um tantinho mais agudo de Coco. Em “Dance To Cash”, Coco investe, com a ajuda de sua banda, em uma sonoridade muito mais encorpada, intencionalmente suja por várias camadas de riffs transbordantes de guitarra, que duela com a pressão do beat eletrônico e do vocal multiplicado e repleto de soberba de Anne Booty - soa próximo das faixas mais esquizofrênicas de Shirley Manson e seu Garbage. Mas a mistura electro-pop administrada em todo o disco por Anne Booty e seus comparsas atingem refinamento máximo mesmo é na combinação de batida eletrônica seca e chicoteante e baixo de acordes graves e sensuais que inunda o fundo de “Pussyfooter”, faixa recheada ainda por samplers e loops que fazem cintilar a melodia. Depois de se lambuzar inteira no pop e no disco, com pitadas de glam rock, a banda ainda faz por bem experimentar um bocado com vocais dissonantes, samplers e distorções das mais diversas na penúltima faixa, “Fall Into My Party”, criando um todo caótico bem à moda do que faz o Planningtorock.
Army Behind the Sun, ainda que soluce por conta de alguns equívocos e chatices em uma ou outra música, reserva alguns momentos realmente deliciosos com faixas que invadem qualquer ambiente com fartas doses de luxúria e hedonismo descompromissados - Anne tem que polir em boa medida muito do que fez em algumas das melodias que compõe, mas já consegue dar uma idéia, neste álbum de estréia, de quantos coelhos dançantes podem ser tirados de sua cartola.

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Beth Gibbons & Rustin Man - Out of Season. [download: mp3]

16 de November de 2007

Beth Gibbons and Rustin Man - Out of SeasonA algo imateral voz de Beth Gibbons é normalmente lembrada sempre associada ao uso de samplers, ruídos estranhos, batidas sinistras e maneirismos de DJs dos mais diversos. Isso porque ela é mais conhecida trabalhando com a sua banda, o Portishead, que até hoje só lançou dois discos, ambos soberbos no desvendamento de um mundo melancólico e sombrio. Porém, depois do lançamento do último disco da banda britânica, Beth deu-se o direito de ceder seu talento para contribuir com um projeto aqui e ali, e entre estas aventuras lançou, em parceira com Paul Webb, assinando sob o pseudônimo Rustin Man, o disco Out of Season. Nele Gibbons dá vazão à um lado mais acústico de sua personalidade musical, utilizando-se basicamente de violão e baterias, acompanhados de perto por orgão e piano que aprofundam o senso de nostalgia que permeia todo o disco. As melodias das faixas “Mysteries” e “Show” são bem características desta faceta mais plácida, ainda que amarga, que a artista revelou: na primeira, na escolta do violão de acordes pálidos e da “colcha” de vocais tristes ao fundo permite-se apenas ruídos e sonoridades suaves que aprimorem a rusticidade da música, na segunda, um lamento tardio sobre um mundo repleto de ilusões e sofrimento, o clima plangente é obtido tão somente com o uso de uma pequena harmonia de acordes no piano repetida incansavelmente e vez ou outra envolvida em um contrabaixo tão lento e arrependido quanto o vocal de Beth Gibbons. Em outros momentos Gibbons e Webb autorizam-se melodias um pouco mais grandiloquentes, como as de “Spider Monkey” e “Funny Time Of Year”: enquanto na primeira os violões, baixos e guitarras ensaiam um crescendo melódico, que não se realiza por completo, para sonorizar os versos sobre as feições fugazes e traiçoeiras de tudo que vivemos em meio à ditadura irreversível do tempo, em “Funny Time Of Year” este crescendo atinge a sua plenitude no lamento emocionante de violões, bateria, guitarra, baixo, acordeão, teclados e no vocal transbordante de sentimento de Beth Gibbons, que mostra aqui porque é tão prestigiada tanto pelos fãs como pela crítica do meio.
Assim, Out of Season funciona como uma espécie de stripped-down Portishead: apesar da sonoridade mais acústica, que recorre bem menos à inserção de orquestrações de metais e cordas e de ruídos e interferências eletro-mecânicas que usurpem a melodia, o clima obtido com elas é o mesmo presente nos álbums da famosa banda de Beth Gibbons, explorando detalhada e soberbamente a melancolia, agonia, sofrimento e solidão em cada verso e nota das canções.
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Keane - Under The Iron Sea (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

26 de October de 2007

Keane - Under The Iron SeaAlguns, eu diria até muitos, gostam de comparar a banda britânica Keane com seus conterrâneos do Coldplay. Mas isso, na verdade, carrega consigo uma boa dose de injustiça e confusão: a banda de Tom Chaplin, Tim Rice-Oxley e Richard Hughes foi fundada antes da de Chris Martin - o que faz, então, a lógica da semelhança ser inversa. Porém, como não é raro no mundo da música, o estilo da banda foi sendo lapidado com o passar do tempo e, talvez, alguma influência - de “mão única” ou recíproca - é bem possível de ter ocorrido.
Mas o fato é que em seu segundo disco, Under The Iron Sea, a banda inglesa aprimorou suas composições que, apesar de priorizar a ausência de guitarras, “emula” a sonoridade delas com o uso combinado de teclados e pedais de distorção - técnica que é praticamente o único tecido sonoro da instrumental “The Iron Sea”, de tecitura triste e com coro distorcido e dramático, e que está também presente em doses fartas nas faixas “Is It Any Wonder?” (canção que protesta contra alguém que tornou a vida cansativa e extenuante, generosa nos vocais altos e vistosos, nos compasso bem marcado e ligeiro da bateria, e nos acordes discretos do baixo), e “Crystal Ball” (sobre alguém que não reconhece mais a si próprio e cuja melodia possui uma cadência pop fácil e um tanto grudenta na bateria, baixo, piano e, principalmente, no modo como Tom Chaplin canta o refrão). Claro que, se é para utilizar uma sonoridade semelhante à da guitarra, faz mais sentido utiliza-la logo de uma vez do que criar artifícios para tanto, mas a banda confessou que não se trata de não gostar do instrumento nos arranjos, ele apenas não faz parte da proposta que a banda tem até o momento, e que isto pode mudar no futuro. E dentro da proposta atual do grupo o destaque fica, claro, com o piano e suas derivações. Das canções que os utilizam, impressiona, em “Leaving So Soon” e “Put it Behind”, a energia que emana destes instrumentos e que contagia bateria, baixo e os vocais de forma brilhante, assim como encanta o modo gracioso como os instrumentos são dedilhados em “Nothing In My Way”, acompanhando a melodia límpida e marítima do vocal, da bateria e baixo.
Contudo, como se sabe, Keane é especialista em lapidar baladas com melodias e letras pujantes de emoção - e este disco está muito bem servido delas. Destacam-se como as melhores composições do disco - se não da própria discografia da banda - as faixas “Hamburg Song”, que consegue, com o mínimo de recursos - orgão, piano, vocal e o “clique” das baquetas sendo chocadas - ressaltar as suas letras intensamente tristes onde, sabe-se, o compositor Tim Rice-Oxley reclama da falta de atenção do vocalista Tom Chaplin, alguém para quem oferece tanto e tanto admira, “Try Again”, que conta com vocais, teclado, piano, baixo e bateria de sublime melancolia e fala, em suas letras, de alguém que acorda para uma situação abominável, tendo destruído sua vida e afastado todos que estavam a seu lado, mas que deseja muito tentar mais uma vez ser quem era antes, e “A Bad Dream”, que não apenas tem uma melodia soberba, com piano, vocais, bateria e sintetizadores plenos em melancolia, arrependimento e sofrimento, como tem letras extremamente bem escritas, elaboradas de uma maneira tão inteligente que os versos podem ser interpretados tanto como sendo o ponto de vista de um soldado que se sente sozinho em uma guerra, refletindo sobre a falta de sentido do conflito, como também sendo a confissão de alguém que sente-se vivendo um pesadelo, mas que sabe ser esta a dura realidade de alguém abandonado e cansado demais para lutar por um amor.
Apesar do disco anterior, Hopes and Fears, ser um belo trabalho, sucedendo principalmente na forma como expressa abertamente sentimentos em música e letras, Under The Iron Sea me parece um trabalho mais profissional, com melodias que soam, no conjunto, mais coesas, mais bem acabadas, trabalhadas e pensadas. É bem verdade que metade deste trabalho mais reflexivo é resultado de confessas desavenças entre os membros do grupo, mas essa abertura, essa exposição da intimidade da banda para o seu público, através de sua música, acaba mostrando também que este disco seja até mais sincero que o seu anterior - um “mar de metal” que tanto fez sofrer os membros da banda mas que inundou o público com beleza, graça e sentimento.
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