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AaRON - Artificial Animals Riding On Neverland. [download: mp3]

14 de Janeiro de 2008

AaRON - Artificial Animals Riding On NeverlandVocês não vão estar errados se disserem que ando numa meio-febre francofônico-musical. Depois de Ben Ricour, o francês que faz um pop/folk charmosinho, andei escutando uma dupla que se lançou no música há pouco, batizada de AaRON, uma sigla que, expandida, deu nome ao disco de estréia deles, Artificial Animals Riding On Neverland. Porém, diferentemente de Ricour, esta dupla prioriza a língua inglesa, dando chance à língua materna apenas na faixa “Le Tunnel d’Or”, uma balada irremediavelmente linda, com piano que começa em acordes agudos e encorpa em sentimento ao longo da canção, assim como encorpa igualmente a programação eletrônica, que além de adicionar densidade à melodia com alguns samplers, substitui a bateria acústica sem perda alguma do vigor desta.
Apesar de que o vocal de Simon Buret, a voz da dupla, lembre vagamente algo de Michael Stipe ou tenha uns espasmos de Chris Martin, as comparações param bem por aí. Mesmo que a sonoridade de AaRON lembre muita coisa que já tenhamos escutado por aí - como é possível notar em “Lost Highway”, que além da sua introdução doce e triste ao piano remeter às tonalidades obscuras e nostálgicas das composições de Akira Yamaoka para a série de games “Silent Hill”, os loops e samplers ao longo da melodia, bem como o lirismo sutilmente etéreo do coro ao fundo, também deixa no ouvido os tilintares da parceria Matmos/Björk -, não é a identificação de um estilo musical no qual possa ser enquadrado que interessa aqui, mas sim o fato de que seu pop alternativo, hora afeito a eletronismos - como em “Endless Song”, cuja melodia de loops, reverberações e reversões de acordes de piano, guitarra e percussão lembra algo da música “These Good People”, da banda The Gathering -, hora com um amor pelo acústico - perceptível nos violões de acordes rápidos, curtos, cíclicos e lúgubres de “Mister K.”, cujas letras lidão de forma esplendidamente metafórica com o sentimento de traição -, preserva sempre uma sensação despertada no ouvinte que percorre e incide em todas as canções: uma tristeza inerente, um sofrimento contínuo, algo possível de ser identificado mesmo na agitação de canções como “O-Song”, crivada de guitarra e pianos dramáticos, curtos, sôfregos, programação em ritmo acelerado e vocal tenso. Claro que nada disso impede a dupla de dar uma folga na tristeza e amargura e criar letras onde a vida é encarada de forma mais positiva, como nas confissões de apoio e amor incondicional de “Little Love”, balada de piano, programação e sintetização de cordas doces e delicadas.
Além da servir ao indispensável propósito de deliciar os ouvidos com um punhado de músicas bem escritas e arranjadas, os rapazes do AaRON de quebra ainda sacodem o estereótipo das duplas de música francesa, muito mais famosas por coisas como o pop-pornô de “Je t’aime moi non plus” e a house babinha do Daft Punk.
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Ben Ricour - L’aventure. [download: mp3]

7 de Janeiro de 2008

Ben Ricour - L'aventureBen Ricour, da chamada nova geração de cantores franceses, tem um carisma musical enorme: difícil não ficar com a melodia de um bom punhado das canções do seu álbum de estréia, L’aventure, tilintando carinhosamente na cabeça, ouvindo sua voz algo infantil e imaginando o que aqueles seus versos de amor, entoados em um francês delicioso, devem exatamente significar em português. Excetuando-se algumas faixas mais monótonas, Ricour conquista o ouvinte, sem muito esforço, já nas primeiras audições do seu pop/folk bem construído. A faixa que abre o disco, “Vivre À Même L’amour”, com seus violões e baixo lépidos, bateria de síncope rápida e saltitante e refrão seguro e certeiro, tem a tonalidade pop-grudenta de primeira de um gritante single. Algumas músicas depois e novamente os ouvidos são raptados pela melodia solar de “Je Me Réveille”, com violões e vocais doces e fulgurantes de esperança, sintetizações de cordas repletas de uma luz calma e aconchegante e bateria ligeira, mas gentil. Na faixa seguinte, “Le Risque”, Ben aposta em um dueto com uma voz feminina para ressaltar as letras sensuais, mesmo que os violões habilidosos, a bateria e percussão escandidas e a guitarra de acordes salpicados no trecho final deixem a melodia mais inequivocamente lúdica e faceira do que sensual. Logo em seguida somos apresentados a uma balada delicada, “Ami D’enfance”, onde o dedilhamento nas cordas do violão, os toques na bateria, os acordes no piano, a tonalidade da voz de Ricour, todos exibem uma soltura, leveza e suavidade aconchegante e carinhosa. “L’aventure”, a faixa seguinte, tem melodia encorpada por violões vistosos e maciços, que sobrepujam mesmo todo o instrumental restante - a guitarra eventual de acordes levemente rascantes e a bateria complementar e submissa à rítmica dos violões. E o disco fecha com a brincalhona “Pas Stressé”: além da tecitura aveludada do violão, da percussão, e dos acordes de harpa eventuais, o cantor brinca com seu vocal, produzindo um solfejo que lembra o ruído de mola dos cartoons que tanto assistiamos na infância.
As composições de Ben Ricour, por mais engraçado que possa parecer, guardam muita semelhança com as feições do próprio artista: sua música exibe aquele ar charmoso, inteligente e elegante que os franceses tão bem conseguem exprimir daquilo que tem a aparência mais convencional e comum. E bem sabemos que tanto são atraentes aquelas notas simples e tradicionais, nada surpreendentes, de uma canção bem feitinha quanto o pode ser aquele moço que mora no prédio ao lado, não?
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Yael Naim. [download: mp3]

22 de Dezembro de 2007

Yael NaimFrancesa de nascença, mas israelense de origem e criação, Yael Naim é mais uma novata procurando seus caminhos no mundo da música. Depois de se dispor alguns anos a fazer o seu ganha pão em musicais franceses, Naim conheceu o produtor e instrumentista David Donatien, logo criando um imenso senso de identificação com ele. Foi ao desenvolver esta relação tão cheia de compreensão e cooperativadade artística que Yael superou seus temores e seus limites, concebendo com ele o seu primeiro álbum. Não se trata de uma obra excepcional, que chame a atenção pela originalidade e arroubo, mas por duas outras coisas: pela delicadeza que contém e por algumas escolhas ousadas. A delicadeza está implícita nos arranjos, como na melodia bem apurada dos violões, guitarras, bateria e percussão de “Too Long”, que possui ainda vocais de fundo graciosos, embebidos em um lirismo sutil, está contida nos vocais, piano, bateria, percussão e arranjo de metais de puro júbilo e graça em “New Soul”, ou reside na simplicidade triste do piano e tradicional arranjo de cordas de “Lonely”, na qual Yael, com vocal intensamente emotivo, fala apoiar incondicionalmente alguém que sofre estar confuso com sua falta de rumo. Já a ousadia da estreante fica por conta de um grande número de faixas em que ela canta em hebraico - como em “Levater”, cuja melodia exibe um violão quieto, sobrepujado pela borbulhância dos vocais, tanto o principal quanto os de fundo, e pelas cordas exuberantemente orientais - e por causa de sua brilhante recriação do hit “Toxic”, de Britney Spears, em cuja versão toda a reminiscência “popteen” é desprezada, dando lugar à um arranjo fabuloso ao cargo de um xilofone desmedidamente doce, guitarras agudas e sensuais, bateria escandida e flautas quase infantis, além de mini-ruídos indistintos.
Nesta estréia, Yael Naim e David Donatien conseguiram um disco com sonoridade bastante sólida e um razoável número de belas composições que enveredam ouvido adentro já na primeira escuta. Faltou um tantinho de sensatez ao selecionar uma quantidade um pouco acima do suficiente de músicas cantadas em hebraico, assim como faltou o mesmo apuro e perspicácia sonora dos arranjos das canções citadas nas que restam no disco, mas tudo isso se obtêm com a experiência no correr do tempo que, certamente, ambos terão daqui em diante.
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“Day Night Day Night”, de Julia Loktev. [download: filme]

9 de Novembro de 2007

Day Night Day NightGarota chega a New York e é preparada para executar um atentado suicida com uma bomba na famosa e movimentada Times Square.
No currículo da diretora de origem russa Julia Loktev há, além de “Day Night Day Night”, há apenas o documentário que fez, em 1998, sobre o acidente que arremessou seu pai em um estado de quase-morte. Com base nesta informação, pode-se tomar a liberdade de fazer algumas conjecturas e deduções: talvez Loktev nem seja uma diretora profissional - é possível que nem mesmo ela se veja desta forma - ou, para ser menos agressivo, não é difícil enquadrá-la como cineasta de ocasião, que só assume tal perfil quando encontra uma idéia que considere relevante e instigante. Porém, de concreto a dizer só mesmo que a diretora prefere a abordagem mais realista possível, já que seu primeiro filme é um documentário e a estrutura do longa-metragem mais recente, mesmo sendo uma obra de ficção, assemelha-o ao gênero do primeiro filme devido à trilha sonora inexistente, a captação direta do som e iluminação, a cenografia natural, a câmera sem uso de tripe ou trilho e aos atores - até prova em contrário - amadores. O roteiro, se é que existiu algum, também ajuda a promover este caráter do longa, já que, excluindo-se os parâmetros gerais da história, que podem ser resumidos à algumas poucas linhas, todo o resto pode ter sido perfeitamente obtido através da improvisação dos atores. E este é o seu grande problema: falta história. Mesmo nos movimentos mais radicais do cinema mundial, como o famoso “Dogma 95″, ainda que estes pregassem a exclusão de tudo o que se considerasse supérfluo e artificial na realização do longa, o esforço em cima da composição de um bom argumento, de um roteiro com apelo, era preservado em toda sua importância. Ainda que a secura quase nordestina do argumento tenha o objetivo de preservar o feitio naturalista da história e demonstrar como seria fácil perpretar um plano como o descrito no filme, Loktev pecou pela falta de conflitos, por ignorar produzir um plot com um mínimo de obstáculos e desventuras, que sempre são passíveis de acontecer, todos sabemos. De interessante fica a tensão desenvolvida pela possibilidade concreta de que a protagonista concretize o seu objetivo, assim como o conflito simples, mas sincero, que passa a viver quase no final do longa-metragem, potencializado pela aparência quase infantil da atriz, pela expressão sempre melancólica de seu rosto e pela forma como conseguiu imprimir sua falta de rumo na conclusão da história.
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“A Dama de Honra”, de Claude Chabrol.

26 de Outubro de 2007

La Demoiselle d'honneurPhilipe, jovem cortez e centrado, conhece Senta, garota impulsiva e fantasiosa, no casamento da irmã e acaba fascinado pelo desprendimento da garota. Mas, a medida que seu envolvimento afetivo aumenta ele descobre que, talvez, as fantasias que Senta tanto gosta de criar sejam um tanto perigosas.
É bastante notório que Chabrol nutre um interesse pela maldade - basta lembrar de “A Teia de Chocolate”. Mas em “A Dama de Honra” o diretor, além de o entrelaçar com o amor, procura sua relação com a loucura, fazendo uso da veloz relação de amor entre Philipe e Senta para tematizar sobre o assunto: Philipe, apesar de logo achar as fantasias violentas de Senta incomôdas, vê-se tão dependente do seu amor que acaba entrando no que supõe ser apenas um jogo afetivo, alimentando as histórias e desejos morbidamente fantasiosos da garota. Infelizmente, não demora muito e ele vê que sua atitude pode ter sido um erro, já que ele começa a perder a noção do que é real e o que é fantasia na vida e nas histórias de Senta, bem como não consegue determinar o quanto Senta tem consciência de que promove esta confusão entre real e imaginário. É neste ponto que, percebe-se, reside o grande charme do roteiro adaptado do próprio diretor e de Pierre Leccia: junto com Philipe, o espectador perde a noção de falso e verdadeiro, confundido sobre Senta e o quanto de real há em suas intenções e no seu comportamento instável e temperamental. A atuação do elenco auxilia o trabalho do diretor e do roteirista, particularmente o trabalho de Laura Smet, que consegue criar uma relação de empatia com o público mesmo desenhando uma personagem que, as vezes, beira as raias da irritação, e o de Benoit Magimel, que desvencilha o seu Philipe Tardieu do esteriótipos cinematográficos do homem que releva as responsabilidades que sempre carregou na sua vida em detrimento de uma paixão tempestuosa. Chabrol, desta vez, não filmou uma obra-prima, mas mesmo assim não deixou de mostrar sua importância, adentrando na seara do maltratado e batido filão dos longas sobre paixões obsessivas e substituindo suas obviedades por soluções inteligentes e intrigantes - e acaba colecionando mais um ponto para o cinema francês e europeu.

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