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Prévia: “The X-Files: I Want To Believe”.

16 de May de 2008

Previa: The X-Files: I Want To BelieveFãs da saudosa série de TV “Arquivo X” estão em estado de ansiedade absoluta: no dia 25 de julho deste ano será lançado o segundo e aguardadíssimo filme que reúne a espetacular dupla de agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully. Como já é de costume, a produção está cercada de segredos que, aparentemente, continuam tão bem guardados quanto antes eram, o que acabou limitando, até o momento, o vazamento de informações não-oficias: somente o teaser pôster - espetacular, em tons de branco e preto, mostrando os agentes caminhando e com suas respectivas sombras formando o famoso “X” -, dois trailers ligeiramente diferentes, feitos especialmente para exibição em convenções de ficção-científica e similares e uma sinopse breve, que muito pouco revela, chegaram a ser divulgados na web antes de serem revelados por fontes oficiais da produção. O que de mais concreto e relevante se sabe sobre o argumento do filme foi mesmo divulgado pela produção já há algum tempo: a história, que é cronologicamente atualizada, refletindo o tempo decorrido desde o fim do seriado, não seguirá a chamada mitologia da série, diferentemente do primeiro longa produzido, optando então por adotar uma história independente, que sempre foi a segunda opção temática dos episódios de “Arquivo X”, comumente chamados de episódios do “monstro da semana”. E foi só neste fim de semana passado, após decorridas algumas semanas da revelação do título oficial da trama - “I Want To Believe”, famoso slogan do seriado que, é preciso admitir, soa um tanto brega como título do filme -, que foi liberado, depois de uma sádica contagem regressiva, o trailer oficial do filme. Apesar de satisfazer e atiçar a curiosidade dos fãs da série, o vídeo foi feito com a inserção de apenas algumas poucas cenas diferentes das que foram utilizadas nos trailers feitos para divulgação nas convenções, além de apresentar uma edição sutilmente sutilmente modificada. Porém, um único dado novo pode ser extraído do pouco que é apresentado: aparentemente, o personagem de Billy Connolly tem o mesmo perfil do saudoso Frank Black de “Millennium”, sendo configurado como uma espécide de investigador - ou algo desta monta - com dotes psíquicos que lhe permitem “ver” fatos relacionados à um crime cometido anteriormente.
Alguns, certemente, estão torcendo o nariz para o advento deste novo longa-metragem baseado na série por considerar isto um tanto oportunista. Obviamente que o incentivo do retorno financeiro conta para a existência da produção, mas as razões são outras para os fãs de “Arquivo X”, e mesmo para seus idealizadores: primeiro porque mesmo com o fim do seriado, e com a ruína que foi a finalização da mitologia da conspiração alienígena que perpassou toda a vida deste, a dinâmica temática da série era bem mais ampla que isso, o que dá toda a liberdade aos produtores para a concepção de novas histórias e, segundo, e a mais importante razão, é o fato inquestionável de que Mulder e Scully são a essência e a razão de ser de “Arquivo X”, o que faz de qualquer história que os envolva mais um episódio genuíno de uma das mais fabulosas criações da televisão americana, que fez história e faz escola até hoje - seria mesmo um desperdício não retomar dois personagens tão geniais apenas porque o principal veículo que os trazia para o público chegou ao seu fim. Por isso, por pior que que possa vir a ser “The X-Files: I Want To Believe”, o simples fato de o público que tanto os admira tem novamente a chance de ter contato com estes dois personagens já vai se configurar para os fãs como um prazer imenso. Porém, a declaração dada pelos realizadores do projeto de que esta história foi especialmente escrita para o local de sua filmagem, os arredores de Vancouver, no Canadá, me dá a clara impressão de que este longa tem muitas chances de ser até melhor do que o primeiro - digo isso porque é notório que os melhores anos de “Arquivo X” foram mesmo aqueles nos quais Vancouver serviu como set de filmagem e principal inspiração para suas mirabolantes histórias.
Agora, para conferir a nova empreitada dos agentes do FBI mais idossincráticos que a ficção já teve a sorte de criar, só resta esperar a estréia do filme. E, segundo informação constante no site oficial do longa-metragem, mesmo nisto os fãs brasileiros de “The X-Files” parecem ter sido agraciados com uma boa amostra de consideração pelo estúdio 20th Century-Fox: ao que tudo indica, o lançamento do filme no Brasil será simultâneo com a estréia nos Estados Unidos. Então, se você tiver a oportunidade de dar uma passada nos cinemas brasileiros no dia 25 de Julho, prepare-se para se deparar com cenas de absoluta estupefação e delírio coletivos como esta - e se tudo der certo, todos nós, fãs de “Arquivo X”, teremos a oportunidade de repetir esta cena por muitos e muitos anos ainda.
Clique aqui para assistir o primeiro trailer oficial diretamente no site da produção.
Se preferir, clique aqui e assista o vídeo no YouTube.
Se você for mais um fã da série e dos dois personagens, pode preferir fazer download do trailer nos links abaixo:
Pequeno (7 MB)
Médio (18,2 MB).
Grande (46, 3 MB).

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“Sonata de Outono”, de Ingmar Bergman. [download: filme]

1 de May de 2008

HostsonatenEva convida a mãe, Charlotte, uma pianista de sucesso, para visitá-la depois de longos sete anos sem que as duas tenham estabelecido qualquer contato entre si. A pianista aceita, e ao chegar é informada por Eva da presença na casa de Helena, sua filha mais nova, uma mulher com severa debilitação física que Charlotte imaginava ainda estar em uma instituição onde a colocou e não mais procurou ver. Dentro de pouco tempo sua estadia vai servir para que Eva exponha toda a mágoa do passado que levou-as ao afastamento.
O cinema de Ingmar Bergman é marcado pela construção de uma cenografia, fotografia e composição de cenas que não apenas possuíam imensa beleza plástica, mas que contribuíam com o tecido próprio da história que queria contar, pelo modo como trabalhava as interpretações de seus fiéis atores com o máximo de eficiência e pelo olhar inquisidor e crítico que o diretor sueco debruçava sobre os temas que abordava. “Sonata de Outono”, filme de 1978, é mais um exemplo excepcional deste trabalho tão requintado e cauteloso do celebrado diretor europeu.
A qualidade dos aspectos técnicos de “Sonata…” supera a sua própria utilidade, pois a cenografia e fotografia irretocavelmente belas foram arquitetadas de modo a reforçar a idéia de que os personagens que ali estão tentam disfarçar inutilmente as profundas atribulações que carregam à tanto tempo cercando-se com um manto de solidez, constância, equilíbrio e austeridade que são, claro, pura aparência, assim como também a composição e enquadramento das cenas foi delicadamente planejado afim de aprofundar e potencializar o impacto, no espectador, das emoções em que os personagens se encontram imersos. O que nos leva ao trabalho das atrizes, que abrilhanta o labor sempre genial do diretor sueco incorporando estas três protagonistas amarguradas com invejável afinco, concedendo-lhes, em iguais e intensas doses, uma emoção enormemente palpável tanto nos seus gestos e reações mais mínimas e contidas quanto nas mais explosivas e extravasadas. E, por falar em personagens, grande parte da análise e da crítica que é abordada no argumento de “Sonata de Outono” foi montada por Bergman explorando o comportamento e os atos de uma personagem apenas: se por um lado Charlotte foi concebida como um poço dos sentimentos, atitudes e reações dos mais reprováveis, devido à displicência e aversão disfarçadas mas implacáveis que nutria por seu marido e filhas, tudo servindo ao intuito de que o diretor expiasse a que níveis o egocentrismo, o egoísmo, a indiferença e insensibilidade podem existir em uma relação na qual a oferta de carinho, amor e compreensão seriam mais certos, por outro lado, ao ser caracterizada como alguém incapaz de oferecer amor genuíno e desviar seu olhar de seus próprios e objetivos e de suas eventuais frustrações, ela acaba também materializando uma crítica à imposição das convenções sociais - um tema recorrente no cinema do diretor -, já que, para uma mulher como Charlotte, a constituição de uma família é uma ruína previamente declarada para si e para aqueles que dela farão parte.
Do trabalho e auxílio de cada um destes elementos temos um filme onde o foco de Bergman, uma vez mais, concentra-se em revelar a vida como palco de um sofrimento que, se não é interminável é, ao menos, bem mais certo do que a tão almejada felicidade: produto de frustrações, dramas, amarguras e mágoas que acumulam-se sorrateira e silenciosamente, este sofrimento tão espetacularmente exposto pelo diretor sueco faz apenas aguardar de modo silencioso o momento de solapar traiçoeiramente a frágil, débil felicidade que tentamos salvaguardar grande parte de nossa existência. E, após sofrer com as chagas deixadas pela sua impiedosa chegada, tentamos nos agarrar a esperança de que, um dia, ele dará lugar a felicidade, que julgamos ser possível reconstruir dos cacos que esta acabou miseravelmente se transformando. É inútil: para Bergman, o sofrimento é a constante da vida.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

OBS: legendas embutidas em inglês.

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“A Professora de Piano”, de Michael Haneke. [download: filme]

1 de April de 2008

La PianisteErika, rígida professora de piano de um conservatório vienense que mora com sua mãe, se vê cada vez mais enlaçada por um músico, também pianista, que insiste em tentar conquistá-la . É quando cede as investidas do rapaz, e revela suas preferências sexuais nada ortodoxas, que Erika perde o controle que até então tinha sobre sua vida íntima.
A primeira vista, “A Professora de Piano”, filme do austríaco Michael Haneke, parece centrar-se em investigar o sexo e a extensão de suas perversões através dos desejos da personagem Erika - resultado de mais uma interpretação esplêndida, já nos mínimos gestos e olhares, da elegante atriz francesa Isabelle Huppert. No entanto, quem já conhece a voracidade e visceralidade costumeira de seus filmes de crítica político-social já sabe de antemão que seria errado pensar que Haneke se contentaria em construir com seus personagens um compêndio do sexo fetichista - isso seria puro reducionismo. Baseando seu roteiro no livro de Elfriede Jelinek, o diretor vai mais fundo, escavando a superfície daquilo que decidiu explorar e procurando analisar, dentro desta temática, as consequências do cruzamento de personalidades e expectativas desencontradas: o envolvimento de Erika, mulher culta e sisuda, plenamente consciente de suas “peculiaridades” sexuais, com um rapaz que, além de confundir a solitária discrição com que mantém sua intimidade com uma frigidez secular, ainda por cima se mostra narcisista, o que o torna incapaz de compreender o prazer que não seja fruto do uso de seus atributos físicos, leva Erika à uma relação que pode trazer tudo, menos à satisfação dos seus desejos. Antes uma mulher razoavelmente equilibrada e inteligente, ao quedar-se apaixonada por Walter - encarnado por Benoît Magimel, perfeito como um sedutor nato -, Erika não apenas deixa sua percepção ser encoberta pela ingênua idéia de que este era o homem que tanto esperava e que compreenderia bem seus desejos, mas também dá vazão ao seu desequilíbrio, algo que, logo no início do longa, já é sugerido nos conflitos com a mãe - Annie Girardot, que dosa bem o misto de carinho e censura maternos - que sente algo de incomum na filha. É através da instabilidade gerada por essa abertura de Érika para um parceiro que ela não nota estar longe do adequado para satisfazer suas idiossincrasias sexuais que Haneke ilustra o cerne do argumento de seu filme: a idéia de que, para alguém que obtém prazer no sexo de modo tão complexamente incomum, a vida afetiva e sexual, via de regra, torna-se um campo absolutamente minado de ilusões, frustrações e armadilhas. Assim, para Erika, diante da dificuldade de achar o seu “oposto complementar”, infelizmente, o mais saudável era mesmo manter a velha rotina construída para satisfazer e alimentar seus fetiches de modo solitário.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

OBS: links funcionais mas não testados.

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legenda disponível (português):
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“Onde os Fracos Não Tem Vez”, de Joel e Ethan Coen. [download: filme]

11 de March de 2008

No Country For Old MenUm homem, praticando caça no deserto, se depara com uma série de carros e pickups abandonadas em meio a desolação. Ao aproximar-se encontra diversos cadáveres e descobre uma enorme quantidade de heroína. Após questionar, sem muito sucesso, um moribundo que sobreviveu ao tiroteio, ele acha, não muito longe, uma valise com 2 milhões de dólares - parte da transação mal-sucedida.
Sem ter muito medo de parecer estar desmerecendo o trabalho de Joel e Ethan Coen, pode-se afirmar que a grande “sacada” do longa-metragem “Onde os Fracos Não Tem Vez” é, na verdade, obra do escritor Cormac McCarthy, e algo previamente idealizado por ele já nas linhas, por ele compostas, no seu livro homônimo: muito além da competência tanto na construção do realismo palpável da história, perpassada de ironia e humor muito sutis, quanto na composição da idiossincrasia do taciturno assassino Anton Chigurh - que orienta sua conduta e a sorte de suas vítimas na noção de que toda e qualquer circunstância é determinação inquestionavelmente necessária do destino - a grande idéia está na relação de contraste existente entre a abordagem realista dada a trama e a essência insólita da personalidade de Anton Chigurh, o único personagem que realmente se destaca nesta trama feita praticamente apenas de personagens periféricos - é no contraponto existente entre as abordagens destes dois componentes, um deles interno ao outro, que torna a trama do livro, e consequemente do filme, realmente interessante. Mas, se por um lado esse mérito é fruto de idéias de autoria de Cormac McCarthy, por outro a sua narrativa guarda razoável similaridade com o cinema que fez Joel e Ethan Coen tão famosos, tornando o trabalho de adaptação para o dupla de diretores, roteiristas e produtores um passeio em um parque de diversões cujos brinquedos eles já experimentaram tanto - como muito do que compõe o estilo dos diretores já estava presente na história, arrisco supor que bastou aos irmãos manter o foco da adaptação fiel à atmosfera da trama criada por McCarthy para que o roteiro estivesse apto à ser encenado. Porém, um filme não se resume ao seu roteiro, e no que tange aos seus outros aspectos, a competência também se fez presente: com relação a direção de fotografia, Roger Deakins potencializa a aridez do deserto tanto na sua escura gravidade noturna quanto na sua ofuscante luz diurna; no campo da trilha sonora, o compositor Carter Burwell dá espaço à crueza das situações com sua trilha surda e quase inexistente; e no trabalho de direção propriamente dito, os Coen mantém as mãos bastante seguras, coordenando os elementos que dispunham de modo firme o suficiente para transpor fielmente a narrativa para as telas - o que deve ter incluído as diretrizes certeiras para Deakins e Burwell na condução de suas respectivas tarefas.
Mas e quanto ao elenco?
Bem, como eu disse acima, a trama de “Onde os Fracos Não Tem Vez” foi construída de forma que praticamente não há protagonistas a conduzindo solenemente, mas apenas um punhado de coadjuvantes que a guiam de forma algo colaborativa, quase nunca dividindo a mesma cena. Desse modo, o equilíbrio entre os atores, com boas atuações, mantem-se constante, porém, Javier Bardem, ganhando o papel de Anton Chigurh, ganha nítido destaque frente aos outros, em grande parte devido à própria natureza do personagem, em outra devido ao seu trabalho que é sim competente ao compor um homem de aspecto opressivo e grave que, ao mesmo tempo, transparece à sua afeição ao sarcasmo sutil, mas que pertence àquela gama de atuações que, não é difícil perceber, não exigem muito do ator.
“Onde os Fracos Não Tem Vez”, muito mais do que um filme de personagens é um filme que põe seu foco nas consequências dos atos perpretados por estes, ilustrando de modo argucioso como a ação mais corriqueira pode mudar o rumo pensado por estes personagens para as suas vidas. Mesmo com “Fargo” e “Ajuste Final” ainda ocupando o posto de momentos mais brilhantes de suas carreiras, este novo filme reaproxima os irmãos Coen do cinema cheio de sagacidade e de discreta morbidez do qual tinham se afastado tanto depois de seguidas incursões cinematográficas reprováveis e sofríveis - e não foi tarde para que os Coen percebessem que os fracos realmente não tem vez no cinema.
Baixe o filme, já legendado em português, utilizando os links a seguir.

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“Pai e Filho”, de Alexander Sokurov. [download: filme]

24 de January de 2008

Otets I SynAleksei, jovem que serve às forças armadas, vive sozinho com seu pai há muito tempo. Acostumados a rotina da companhia mútua e nutrindo uma relação de muita proximidade e carinho, ambos começam a sofrer por sentir que, devido a suas ocupações, podem ter que se separar.
Mesmo que Alexander Sokurov o negue, assim como a intencionalidade disto, o longa-metragem “Pai e Filho” é um filme essencialmente ambíguo. A priori, a aparência dos protagonistas do filme, ambos jovens e fisicamente atraentes, acaba por desassociá-los e muito do retrato de pai e filho, assim como a intimidade física de sua relação, repleta de carinhos e olhares mútuos insistentemente intensos e demorados, reforça ainda mais esta impressão inicial. Porém, através das poucas falas dos personagens, logo passamos a identificá-los realmente como pai e filho, o que, somado ao contato físico tão íntimo entre ambos, deixa uma conotação incestuosa desta relação. Esta interpretação, é bom ressaltar, foi a adotada por boa parte da crítica e público, e que causou um certo rebuliço nos círculos do cinema de arte. Sokurov, no entanto, não tardou a repudiar prontamente tal interpretação, afirmando que o homoerotismo e incesto do filme existem somente na mente doentia de quem os anunciou. E esta visão destituída de qualquer traço sexual não é feita sem embasamento: de fato, no decorrer do filme, é possível, sem muito esforço, formular a interpretação de que essa relação mais próxima do que se casualmente vê é fruto do comportamento arredio dos dois protagonistas, que isolam o cotidiano de sua relação do contato de qualquer pessoa externa à este relacionamento, procurando tornar sempre mínima a interferência e participação de alguém “estranho” à “simbiose” que construíram - tanto o pai quanto seu filho acabam por afastar, hora de modo consciente, hora inconsciente, amigos e romances para preservar a intensidade construída desde cedo nesta relação. Porém, mesmo que se escolha adotar uma ou outra interpretação, a ambiguidade permanece, insistente, por mais que se encontre ali traços de uma relação incestuosa, e por mais fundamentada que seja a opinião do diretor contra esta interpretação: a verdade é que apesar de que não há concretamente algo que torne sustentável a possibilidade de uma relação incestuosa, tampouco esta relação é destituída do caráter erótico, caráter este que se faz intensamente presente graças as escolhas e a abordagem feitas pelo diretor. E esta dualidade intrínseca ao teor da relação entre Aleksei e seu pai, que confunde, desmancha e, consequentemente, despreza os limites da definição usual do que seria uma relação de pai e filho puramente fraternal de uma outra que se mostra, ao menos, mais erotizada, que é a questão central de “Pai e Filho”, tornando este o longa-metragem mais tematicamente ousado de Sokurov - se não for o mais ousado que já foi feito sobre o tema.
Baixe o filme utilizando os links a seguir e a senha para descompactá-lo.

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senha: warez-bb.org

legenda disponível (português):
http://legendas.tv/info.php?d=aebf085cf63592caba500e0a7f39c34a&c=1

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