“Começar de Novo” (Reprise), de Joachim Trier. [download: filme]
14 de Junho de 2008
Dois jovens de 20 e tantos anos, amigos de infância, amantes de literatura e música punk, tentam ambos lançar seu primeiro livro, enviando juntos os seus escritos para uma editora. Enquanto Philip consegue obter o feito, e ganhar fama da noite para o dia, Erik tem seu escrito recusado. Porém, enquanto Philip não consegue lidar com o seu sucesso, Erik segue em frente na tentativa de obter uma nova chance.
O longa-metragem de estréia de Joachim Trier, primo distante de um dos mais famosos cineastas dinamarqueses, Lars Von Trier, tem uma dualidade qualitativa na concepção de seus elementos: sempre que algo parece uma idéia interessante, também o é ao mesmo tempo irritante.
A estilística narrativa é o ponto onde isso é percebido com mais facilidade: ao ser por vezes bifurcada na tentativa de expôr outras possibilidades para o comportamento e o caminho tomado pelos personagens, e inundada por um maneirismo técnico no qual o diretor adota coisas como o congelamento das cenas e a exposição de legendas, ambos com o claro intuito de imprimir dinamismo, a narrativa soa, em alguns momentos, apenas como instrumento para construir no longa-metragem uma identidade cult - e é bom lembrar que o cult não é o com intencionalidade, mas torna-se um no advento do contato com o público -, enquanto em outros sua técnica ganha sentido, por apresentar elementos importantes para a trama ou por expôr o verdadeiro conflito de um personagem, bem como por apresentar sua solucão - é o que acontece na sequência final do longa-metragem, por exemplo. O narrador onisciente é outro elemento de qualidade ambígua no filme: se por um lado ele serve como muleta para a já citada tipificação do longa como obra de status cult, por outro ele ganha o papel de aumentar no espectador o conhecimento mais aprofundado sobre a personalidade dos personagens e a motivação primeira de seu comportamento. Contudo, o mais interessante é observar que este caráter de dualidade se repete até mesmo no par de protagonistas do filme: se Philip, o escritor de inspiração repentina e escrita ágil, irrita pela sua personalidade conturbada e confusa, pela sua instabilidade psíquica e emocional e pelo seu caráter sensivelmente egoísta, Erik, o autor cujas obras só nascem com muito esforço, cativa tanto por suas qualidades - seu companheirismo, que lhe faz estar disposto a sempre apoiar e ouvir aqueles que ama - quanto pelos defeitos - a sua ingenuidade, que lhe permite ser influenciado e moldado pela opinião e comportamento alheios, assim como a inconsequência, que lhe faz agir de modo impulsivo e leviano, sem pensar que pode estar desprezando e magoando alguém que só lhe quer bem. Como se pode prever, é justamente o personagem de Erik que garante ao filme grande parte de seu interesse - muito graças ao carisma de seu intérprete, Espen Klouman-Høiner, e em outra parte pela configuração humanamente verossímel de seu caráter.
Mas os méritos não são sempre inconstantes quando são obra unicamente do diretor: a idéia de abolir sincronia entre fala e imagem, bem como o desvio do foco de suas lentes para outros elementos, capazes de transmitir tanta emoção quando a expressão dos atores, intensifica a potencial emoção das cenas e seu caráter poético - isso pode ser conferido especialmente na sequência que retrata o reencontro entre Philip e Kari.
Uma estréia promissora, como diria um dos personagens-chave da trama. Se em suas produções posteriores o diretor dinamarquês amadurecer sua técnica, polindo-a ao limar o maneirismo excessivamente desnecessário, teremos mais um representante a ser constantemente observado no cinema nórdico, berço de uma tradição de cinema tão ousada na sua poética quanto no seu experimentalismo.
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Enquanto uma jornalista e seu cinegrafista registram, por uma noite, o cotidiano de uma equipe de bombeiros para um programa de televisão, uma chamada de emergência é feita solicitando atendimento em um pequeno prédio residencial de Madri. Ao chegar ao local, equipe e jornalistas são recebidos pelos condôminos, que explicam ter feito a chamada para que verificassem barulhos estranhos na residência de uma senhora idosa. É a partir da inspeção do apartamento desta mulher que o horror tem início dentro do edifício.
Eva convida a mãe, Charlotte, uma pianista de sucesso, para visitá-la depois de longos sete anos sem que as duas tenham estabelecido qualquer contato entre si. A pianista aceita, e ao chegar é informada por Eva da presença na casa de Helena, sua filha mais nova, uma mulher com severa debilitação física que Charlotte imaginava ainda estar em uma instituição onde a colocou e não mais procurou ver. Dentro de pouco tempo sua estadia vai servir para que Eva exponha toda a mágoa do passado que levou-as ao afastamento.
Com o que fez no álbum Le Fil, seu segundo disco solo, Camille Dalmais chamou tanto a atenção de crítica e público do mundinho da música alternativa que, não é exagero afirmar, alavancou para si o posto de maior sensação da música francesa nos últimos anos. Por esse motivo, o seu álbum subsequente vinha sendo aguardado ansiosamente pelos fãs que não sabiam o que esperar da francesa depois do experimentalismo pop de Le Fil. Com o lançamento de Music Hole nesta segunda-feira a curiosidade foi saciada: no seu novo projeto, Camille dá continuidade à exploração da musicalidade desenvolvida no disco anterior, que esquadrinhou, com temperança, as possibilidades da voz humana como instrumento melódico. Na canção “Cats and Dogs”, Camille mostra isso de forma deliciosa, povoando a segunda metade da faixa, até então constituída apenas de um piano de acordes doces e uma “tuba vocal”, com um almanaque de vozes que mimetizam festivamente toda uma variedade de grunhidos, gritos e urros do mundo animal: pássaros, porcos, elefantes, macacos, cabras, sem esquecer, claro, dos personagens que são a tônica da música - cães e gatos. Mas, além de retomar a pesquisa musical produzida até Le Fil, a cantora e compositora francesa adiciona ao seu repertório experimental a percussão corporal, um novo elemento melódico que incrementa ainda mais a experimentação desenvolvida por ela em suas composições. A utilização deste novo elemento na construção das melodias pode ser conferida em toda sua glória na faixa “Canards Sauvages”: para emular um samba frenético, Camille contou com a ajuda de participantes do grupo brasileiro Barbatuques, que tamborilaram no próprio corpo para produzir a sonoridade percussiva acelerada que faz a base da melodia, composta ainda de ruídos de água nervosamente agitada e de múltiplas camadas da voz de Camille - capaz até de simular uma impagável cuíca vocal.
