“Lost”: 4ª temporada (ciclo final) [sem spoilers].
7 de Junho de 2008
Mais uma temporada de Lost chega à sua conclusão, com a exibição de um eletrizante episódio final duplo. Desde que a série foi retomada, com a exibição do nono episódio, Lost entrou em uma espécie de conclusão de um ciclo, eliminando personagens secundários e mesmo alguns do primeiro escalão do elenco, talvez em caráter temporário, para, de modo muito astucioso, criar novas tramas para os personagens com eles diretamente ligados, dar mais espaço ao aprofundamento da mitologia cada vez mais extensa da ilha e possibilitar, a partir da próxima temporada, o desenvolvimento de uma mudança do espaço físico explorado na série. Parte disso já era do conhecimento do público através do uso dos flashforwards, o que fez desta a conclusão de temporada menos surpreendente da série até hoje. No entanto, a metade do impacto perdido no quesito surpresa foi devidamente compensado pela fabulosa composição da narrativa deste episódio final da temporada, que envolveu passado, presente e futuro da ilha e do mundo exterior à ela - só para citar como registro de exemplo, logo no início do episódio, foi engendrada uma fusão brilhante do fim da “recapitulação” dos acontecimentos anteriores com o início do episódio que, diga-se, remonta ao igualmente fenomenal fim da terceira temporada. Além disso, flashforwards de cada um dos personagens que tiveram especial destaque este ano - quem a assistiu, sabe bem de quem estou falando - pontuaram toda a duração do episódio, respondendo dúvidas que foram lançadas pela exposição de outros flashforwards durante toda a temporada, bem como lançando ainda outras sobre ocorrências na passado/presente/futuro da ilha e daqueles que a habitam - sem falar na aparição mais uma vez meteórica de dois velhos conhecidos do fim da segunda ano que ninguém imaginava que fossem novamente apresentados no seriado.
Mas o que pode nos aguardar para o quinto e penúltimo ano da série? Acho que o mais provável é que, como aposto desde a consequente implementação dos flashforwards, no fim do terceiro ano, há uma tendência em concentrar o foco da Lost no desenvolvimento de uma narrativa fora da ilha - o que, há poucos dias, foi citado pelos produtores como uma possibilidade para a quinto ano do programa. A meu ver, o melhor efeito ao adotar esta idéia seria obtido com a exploração de tramas no mundo exterior durante uma temporada - a penúltima seria ideal - para retornar à ilha como cenário para fechar a trama da série no seu último ano. Claro, isso é só uma aposta ingênua, pois certamente que os produtores devem ter tudo planejado desde já, e há chances de nada ter a ver com apostas e previsões que possamos elaborar. Confundir o espectador sobre a teoria que fundamentaria toda a explicação do que é testemunhado em Lost é uma diversão que os produtores cultivam há muito tempo e ela não foi abandonada nesta temporada - há pelos menos três sequências que retomam a idéia de tudo não passa de uma espécie de jogo, enquanto pelo menos uma lembra o espectador sobre a possibilidade de que os personagens enfrentam algum tipo de purgação espiritual. Contudo, ao menos um dado de certeza foi lançado nos momentos finais do episódio: a idéia de que a presença dos sobreviventes do vôo 815 na ilha não é mero acaso e acidente. Essa suposição, há muito mencionada nos episódios e perscrutada pelos fãs, foi agora abertamente reforçada como um dos fios condutores de todo o sentido da trama da série. Mas e o por quê dessa relação necessária da ilha com o seus ocupantes, capaz de desencadear eventos catastróficos quando da possibilidade que estes ocupantes abandonem a ilha? Bem, a resposta para tanto só deve vir depois de uns bons meses sofridos sem Lost - se é que teremos mesmo a resposta para isso na próxima temporada.
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E encerrou-se nesta quinta-feira, com a exibição do oitavo episódio, o primeiro ciclo do quarta temporada do seriado americano Lost. Os indícios sobre a temática das histórias e o novo artifício utilizado nos episódios derradeiros do terceiro ano tomaram forma e se estabeleceram na nova temporarada: o flashforward, recurso que, de forma inversa ao flashback, revela como se apresenta um personagem específico em um ponto no futuro, foi ostensivamente utilizado em três dos episódios e parcialmente utilizado, dividindo espaço com o já consagrado flashback, em mais um deles. As revelações feitas nos flashfowards tem implicação direta tanto sobre o “momento presente” dos personagens, antecipando eventos e mesmo o destino de alguns deles dentro de um futuro próximo na realidade presente da ilha, quanto sobre um futuro mais distante, revelando conflitos de alguns personagens com relação à fatos ocorridos e seu desejo de fazer algo para solucionar tais conflitos.
E encerrou-se o ciclo final da 3ª temporada de “Lost”. A retomada da série, que teve uma interrupção de quase dois meses depois do 6° episódio, teve alguns engasgos em capítulos que diziam quase nada, mais especificamente nos chamados “episódios de transição”, que tiveram a função de interligar deslocamentos de personagens, ações de naturezas diferentes ou o encerramento de um período de atividade para a retomada de outro. A meu ver, estes foram os episódios mais problemáticos e, possivelmente, os mais desnecessários: na essência, os episódios 9, “Stranger in a Strange Land”, 17, “Catch-22″ e 18, “D.O.C” tem conteúdo fraco e desinteressante - quase uma enrolação -, fazendo-me acreditar que teria sido melhor deslocadar, encaixar e sintetizar em outros episódios as poucas sequências que apontam para novos acontecimentos ou revelações. O episódio de número 14, “Exposé”, que marcou o fim de dois personagens que foram apresentados nesta mesma temporada e que, a bem da verdade, sequer foram abordados, não foi exatamente ruim pelo seu conteúdo, já que a trama foi muito bem costurada e desenvolvida, mas pelo fato de que serve unicamente para encerrar a história de personagens que não foram, em momento algum, enraizados na mitologia da série e para também aparar arestas que ficaram aparentes, como a relacionada à personagem Sun - e que, novamente, poderia muito bem ter sido encaixada em outro capítulo.
Para os que tem os meios necessários para acompanhar os episódios da 3ª temporada de “Lost” através de downloads de episódios legendados na internet, pouco tempo depois de sua exibição original nos Estados Unidos, fecha-se o primeiro ciclo desta nova temporada, que retornará com a sequência dos 16 episódios restantes apenas em Fevereiro de 2007. Estes seis primeiros episódios deixaram os espectadores divididos entre aqueles que detestaram e outros que adoraram - mas mesmo os que não estão gostando dos rumos tomados neste início de temporada não deixaram de assisitir o seriado.











