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“Paradise Now”, de Hany Abu-Assad. [download: filme]

5 de Outubro de 2007

Paradise NowOs palestinos Said e Khaled, amigos de longa data que vivem em Nablus, são recrutados para executar um atentado suicida em TelAviv. Ainda que um tanto surpresos e algo desprevenidos pela urgência da notícia, ambos aceitam e concordam com a missão e com seu destino. Mas, no momento que ambos tentam entrar clandestinamente em território israelense, o policiamento da região fronteira intervem e, enquanto Khaled retorna ao lado Palestino e é levado de volta, Said acaba se escondendo e se perde de seu amigo, passando a vagar pela cidade de Nablus com um artefato explosivo atrelado ao seu corpo.
Por ser o diretor Hany Abu-Assad de origem palestina, “Paradise Now” ganhou vida da maneira mais ideal possível. Primeiro, porque o diretor não extirpa do argumento toda a subjetividade inevitável e necessária para trazer à realidade um filme sobre os atentados com homens-bomba, uma das características mais polêmicas do conflito entre Israel e o povo palestino: Abu-Assad se permite discutir e questionar em “Paradise Now” apenas a validade do mais simbólico método de contra-defesa do povo palestino e nunca o papel que cada uma das partes tem no conflito, sem temer ser parcial ao afirmar que, por mais questionáveis que sejam os métodos praticados pelos palestinos neste conflito, são eles as verdadeiras vítimas, subjugadas pelo poderio da nação de Israel. Segundo, porque o roteiro humaniza a figura do homem-bomba, desmistificando o estigma de mercenários frios e lunáticos, quase mecânicos. E aí é que reside o grande trunfo e a beleza maior do filme: o roteiro desenha Said e Khaled como homens que sujeitam-se a morrer - e matar - por uma causa porque sentem-se incentivados por toda uma vida de miséria, de humilhação, de falta de oportunidades, de sofrimento e de perdas sendo, ainda assim, capazes de temer a morte, de duvidar da eficácia e efeito de suas ações e até de questionar, mesmo que por um breve instante, sua fé e sua crença. E na concepção destes dois personagens, os atores Kais Nashif e Ali Suliman tiveram papel fundamental com seus desempenhos inspirados de Said e Khaled, respectivamente, conseguindo trazer do roteiro, em detalhes, a maneira tão distinta como esses dois homens encaram seus conflitos: o primeiro com uma interpretação minimalista e contida, o segundo compondo um homem extrovertido, transbordando em ansiedade, agitação e emotividade. O elenco de apoio é igualmente notável, incrementando ainda mais as cenas ao contracenar com os dois atores - especialmente Lubna Azabal, como Suha, e a impecável Hiam Abbass, que emociona mesmo na pequena participação que tem como a mãe de Said.
Com “Paradise Now”, o diretor Hany Abu-Assad, além de destrinchar os bastidores de um atentado com uma abordagem realista e enorme sinceridade, revelando o que há de humano em que os perpreta, preenche também uma lacuna há muito existente no cinema mundial: a do cinema palestino. Mesmo que antes existissem outros filmes da chamada “autoridade palestina”, nenhum deles tinha, até então, conseguido notoriedade suficiente para expor além de suas fronteiras as histórias destas pessoas. “Paradise Now” merece ser sucedido por tantos outros filmes que revelem o drama de uma nação castigada e perseguida pela fé que tem e pelas expectativas que nutre há tanto tempo, e que só se materializam em frustrações.
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“Maria”, de Abel Ferrara. [download: filme]

28 de Setembro de 2007

MaryDepois de interpretar Maria Madalena em um filme polêmico sobre Jesus, uma atriz sente sua vida alterada pela experiência e abandona tudo, partindo para o Oriente Médio em busca de refúgio e reflexão. Dois anos depois o diretor do filme está prestes a lançar sua obra e obtém contato com um apresentador que está se aprofundando na vida de Jesus através de seu programa televisivo.
Abel Ferrara, diretor do circuito alternativo americano, tem uma carreira repleta de filmes escorados sobre o submundo do crime, com a presença constante de personagens desajustados e envolvidos com violência e drogas. Quando qualquer pessoa que conhece sua filmografia descobre que ele resolveu se aventurar em um projeto como “Maria”, não há como evitar a expressão de estranheza. Não que o diretor não tenha competência para tanto - não se trata disso -, mas há de se considerar isto como um sinal de que algo em sua vida o levou a filmar uma história que tematiza quase inteiramente sobre a religião, sem economizar nos questionamentos existencialistas - uma vontade de demonstrar maturidade ou flexibilidade, talvez. Mas esse deslocamento de um espaço tão conhecido, o do underground, para um outro, mais intimista e sutil acaba gerando algumas falhas, que são sinalizadas pela sensação, ao longo de todo o filme e tão logo terminamos de assistí-lo, de que se perdeu ou não se notou algo durante toda a expectação do longa. Ferrara tem preocupações genuínas ali, tratando da eterna culpa que nos leva a questionar se os males que sofremos na vida são penas impostas por deus por pecados e erros cometidos, além de questionar as desavenças religiosas que tentam justificar sua violência como defesa da vontade e da verdade divina, trafegando também pela propensão do ser humano em, a certa altura da vida, questionar a conduta da humanidade, bem como a sua própria, e mergulhar em uma jornada de reflexão e auto-conhecimento, mas em todos os planos discutidos o diretor perde o foco por conta do roteiro fraco, que deixa de dar a profundidade necessária ao tema, o que concede à todas as sequências e acontecimentos ali desenhados um certo ar de ingenuidade. Isso aconteceu, ao que parece, porque o diretor não compreendeu que um filme que tematiza sobre eventos que redefinem a experiência de vida dos personagens, primeiramente, não deve deixar apenas para os atores o trabalho de exteriorizar a complexidade e densidade de seus personagens e seus dramas, pois eles devem sempre contar com o auxílio do roteiro e de diretrizes suficientes do diretor para tanto, e em segundo, que um filme destes pode ser tão pesado e radical quanto os que se escoram na violência mais material, física. Talvez o grande defeito de Abel Ferrara ao se aventurar em uma terra que até então não havia visitado seja seu excesso de singeleza e simplicidade. Faltou à ele transmutar a sua habitual ousadia nos domínios do undreground para os campos do metafísico, psicólogico e espiritual. É realmente uma pena, pois um filme com Juliette Binoche, em uma atuação excepcional, poderia render bem mais.
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“Uma Questão de Imagem”, de Agnès Jaoui.

15 de Setembro de 2007

Comme Une ImageÉtienne é um famoso e veterano escritor francês cuja filha, Lolita, sofre com o desapego do seu pai, com seus próprios complexos de aparência e com sua insegurança. Sua professora de canto, que inicialmente não simpatiza muito com a garota e com sua performance, descobre quem é o pai desta e, sendo grande fã de Etienne e esposa de um escritor iniciante que tenta publicar seu primeiro livro, resolve tentar se aproximar da garota.
Agnès Jaoui, depois do sucesso obtido pelo seu filme anterior, decidiu que o protagonista de seu mais recente longa-metragem teria natureza inversa daquele que tanto conquistou a crítica: de um homem que passa por um processo de mudança e aprimoramento de seu comportamento e gosto rudes, o co-roteirista Jean-Pierre Bacri passa a interpretar um homem que não consegue - e nem tenta - modificar o modo displicente com que trata as pessoas, sempre devidamente menosprezadas pela sua personalidade narcisista e egocêntrica. É a partir deste personagem, e não exatamente ao seu redor, que os eventos tomam lugar e as relações pessoais no filme se desenvolvem: primeiro com os personagens períféricos, como o assistente do escritor, ignorado por este em tudo que não compete suas funções, e a esposa de Étienne, que tem sua educação para com a filha invalidada pelo marido, depois com os protagonistas do longa, como a filha que tenta ganhar um pouco de atenção do pai e, a professora de canto, já um tanto entediada com sua profissão e esperançosa de que seu marido um dia deslanche na que ele escolheu e este último, sem muita esperança de que realmente consiga publicar algo um dia. O interesse da diretora e co-roteirista, visível desde seu filme anterior, é descortinar as coisas que movem e impulsionam as relações humanas e, no caso específico deste filme, nas intenções que se escondem por trás delas: primeiro, a de pessoas que iniciam suas relações com homens como Étienne para se benefeciar de seu prestígio e influência - muitas vezes usando outra pessoa para alcançá-lo, algo muito bem ilustrado no filme pela filha complexada devido seu excesso de peso e seus insucessos artísticos e carente de atenção do pai e da alheia -, segundo a do próprio Étienne que, de forma tão infantil, carece da presença e atenção de todas essas pessoas para reafirmar sua importância para si mesmo - eu não saberia dizer qual dos dois lados seria o mais mesquinho, mas o que eu nem ninguém precisa refletir muito para saber é o quanto isto se relaciona de modo intrínseco com o mundo em que vivemos hoje, repleto de pessoas como Étienne e ainda mais cheio de pessoas que se sujeitam a alimentar a sua egofilia. Pode-se pensar que, no meio desta fogueira de vaidades e expectativas, pessoas como Lolita são as únicas vítimas, mas Agnès Jaoui também se ocupa de analisar seu comportamento e mostrar suas falhas: é através de sua propensão em achar que todos se aproximam dela só por conta do pai famoso e rico que a diretora demonstra a tendência que pessoas inseguras e com baixa auto-estima tem em sempre achar que o interesse que os outros nutrem por elas nunca é genuíno, o que possibilita o risco de, na inércia constante da posição de vítima que elas tomam, acabem julgando como ilegítimas relações que não o são. Mas, nem tudo esta perdido: no encaminhamento do filme, felizmente, vemos que algumas pessoas podem começar a quebrar este círculo vicioso, percebendo o mal que elas fazem a si próprias e aos outros ao alimenta-lo - como a personagem da diretora, a professora de canto Sylvia. O problema é que isso, fora do plano da ficção, não costuma acontecer com muita frequência - eu diria que raramente acontece.
Em “Uma Questão de Imagem” a dupla Jaoui/Bacri aprimora o seu estilo muito além do exposto em “O Gosto dos Outros”, explorando de forma mais competente e realista o drama e compondo soluções um pouco mais elaboradas, como fica claro na sequência que fecha o longa-metragem. Está longe de ter a profundidade e originalidade dos melhores dramas - e mais antigos - de Woody Allen ou a visceralidade de um “Festa de Família”, mas é o sinal de que, com um pouco mais de ousadia o casal de franceses pode achar o caminho.

OBS: ainda não encontrei links para download do filme. Encontrando algum, os links estarão disponíveis aqui.

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“A Pequena Jerusalém”, de Karin Albou.

1 de Setembro de 2007

La Petite JérusalemJovem mulher de família judia, que reside com sua família nos subúrbios de Paris e estuda filosofia, torna sua relação já conflituosa com a religião um tanto mais problemática devido à atração por um colega de trabalho mulçumano. Sua irmã, que não consegue se entregar ao marido por temer infringir preceitos judaicos, descobre que este a traiu e tenta vencer seus pudores.
Em “A Pequena Jerusalém” temos uma abordagem um pouco diferente da dinâmica dos conflitos de personagens femininos com os preceitos religiosos sob os quais levam suas vidas, já que, ao invés de retratar a submissão inexorável de mulheres aos deveres descritos por suas crenças e pelas figuras masculinas que as rodeiam em países onde essa realidade é a norma imperativa, o longa-metragem da diretora Karin Albou trata da dinâmica destes conflitos em um espaço (sub)urbano contemporâneo de uma grande metrópole ocidental. Assim, apesar do que pregam as religiões ainda poder ser preservado na sua essência, a troca de espaço e condição social mostra que a aplicabilidade apropriada de rígidas regras de religiões meso-orientais às mulheres é complicada pelas necessidades econômicas dentro desta realidade estranha à sua crença. As aspirações contemporâneas da personagem Laura, que pretende dedicar-se muito mais ao que dita a filosofia ocidental do que aos deveres e realizações possíveis de uma mulher dentro dos ensinamentos do judaísmo ortodoxo, são a materialização maior desta abordagem.
Mas como, apesar deste traço salutar, o longa é basicamente sobre os conflitos do mundo feminino, ele torna-se consideravelmente aborrecido. É verdade que em “A Pequena Jerusalém” o maior defeito do gênero - a afirmação de que o mundo oposto, o masculino, não detém complexidade e sensibilidade - não se faz tão intenso, mas ainda assim a idéia tradicional do cinema (e da sociedade como um todo, na verdade) sobre o que é genuinamente a representação dos mais profundos conflitos femininos (o matrimônio e suas problemáticas derivadas) deixa o filme com aquele simplismo modorrento dos longas que se centram desta forma na temática - aborrece particularmente a obsessão detalhista de Albou com os dramas do sexo.
Com tudo isso, apesar da abordagem primária diferente da maioria, este longa sobre mulheres acaba cometendo a mesma falha daqueles dos quais tenta diferir - e como seus sucessos são menores do que os defeitos recorrentes à temática que escolheu abordar, sua embarcação sossobra à meia-viagem. O final do filme, felizmente, salva o longa-metragem de estréia da diretora de ser um desastre que prometia ser completo.

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“O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti. [download: filme]

14 de Julho de 2007

LaGiovanni, psicólogo que tem consultório em sua casa, vive uma vida pacata com seus dois filhos, Andrea e Irene, e sua esposa, Paola. Certo dia, seu filho é acusado de, na companhia de um outro amigo, ter roubado um artefato do museu de sua escola. Giovanni quer acreditar na inocência do filho, mas sente que ele pode ter realmente feito o roubo. Apesar disso, Giovanni lida com tranquilidade com a situação, e fica a espera de que o filho lhe conte a verdade, por bem e por confiança. Contudo, uma tragédia impede que isso aconteça.
Nani Moretti trata, neste filme, do sofrimento de uma família pela perda de um dos seus membros. Apesar de não parecer, a primeira vista, este é um tema difiícil de ser explorado: dependendo da abordagem da diretor, da concepção do roteiro sobre o tema e do estilo adotado pelos atores, o resultado pode ser um filme que descamba para o sentimentalismo mais fácil e ordinário, a pieguice mais insuportável e cafona. Para nossa sorte, este não é um destes casos: Nani Moretti, que é responsável não apenas pela direção, mas compôs o roteiro com a ajuda de Linda Ferri e Heidrun Schleef e ainda encarna o protagonista, consegue guiar o tema com delicadeza e cautela, explorando emoções genuínas e naturais nos seus personagens que nunca soam “over” - mesmo quando o sofrimento transborda nos personagens, em atitudes destemperadas mas inteiramente compreensíveis diante dos acontecimentos, ele sempre é crível e comedido, o que espelha diretamente a personalidade desta família tranquila, organizada, serena e cúmplice. Inteligente também é o olhar de Moretti sobre a dinâmica do comportamento das pessoas ao enfrentarem uma perda como esta: algumas pessoas podem se expressar melhor em confissões verbais de dor e agonia, outras só o conseguem fazer através de gestos gentis e sutis, outras ainda aliviam seu afobamento em momentos de rebelião e protesto - isso depende muito da natureza de cada pessoa e de seu estado, mas a comunicação e a exteriorização deste sofrimento, mostra ele, é o passo primeiro para lidar com isso.
O diretor italiano também consegue, sem a necessidade de extender a duração do filme, mostrar como as pessoas precisam, na impossibilidade de reestabelecer internamente o equilíbrio familiar, do contato de alguém externo à ela, que os lembre e os conforte na recordação de quem se foi, ajudando todos a selar este período dramático e a retomar suas vidas.
Contudo, o maior mérito do filme, a meu ver, é o modo perspicaz com que Moretti e seus colegas roteiristas desenham as consequências posteriores à um trauma familiar deste tipo: apesar de que, passado o período de luto e dor, muitas vezes, a vida segue adiante para os que ficaram, exatamente da maneira como era, em outras isso não é mais possível, e algo muda dali em diante - e, dentro desta família, agora com apenas três pessoas, esse é o modo do psícologo encarar a vida após a morte de alguém que tanto ama.
Como vocês poderão se dar o prazer de observar, “O Quarto do Filho” é um dos filmes mais tocantes e equilibrados ao lidar com o tema da morte dentro do seio familiar. Apesar dos depoimentos que tive sobre a qualidade do filme, não deixei de me surpreender com a beleza e o bom gosto com que o tema é tratado e com a condução confiante do cineasta. Provavelmente, este longa-metragem permanecerá insuperável como o momento mais brilhante de toda a carreira de Moretti, um filme que, com economia de recursos e tempo, consegue delinear com precisão a dificuldade humana em ter consciência plena de seu mais pesado fardo.
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