27 de Janeiro de 2006
No início dos anos 90, Alex sobrevive como garçonete em Lisboa com o namorado saxofonista que, na verdade, só consegue se sustentar participando como intermediário no contrabando de diamantes. No Brasil, Paco, um jovem universitário desiludido com seus estudos aspira como seu plano maior a carreira de ator. Manuela, sua mãe, sonha fazer uso de suas economias para voltar com o filho para sua terra natal, a Espanha. Porém, mudanças na economia do país gestadas pelo governo Collor vão causar mudanças abruptas na vida do jovem Paco.
Completamente filmado em preto & branco, Terra Estrangeira é uma obra-prima do cinema brasileiro do fim do século passado e o longa-metragem que colocou Walter Salles no rol dos grandes cineastas do país. O filme aproveita, na sua primeira meia hora, a desorientação política pós-ditadura do Brasil para transmitir com perfeita exatidão a desolação, impotência e abandono que os personagens do filme mostram sentir o tempo todo. Ao ser deslocada a ação para Portugal, todos os sentidos se potencializam, e ainda são acrescidos pela esmagadora sensação de falta de identidade. Seus personagens marginalizados e exilados, homens e mulheres que vivem uma vida vazia e desprovida de raízes, só tem como esperança a possbilidade de encontrar alguma motivação no amor: é no romance de Alex e Paco que conseguimos parar e respirar durante o filme, ainda que seja uma respiração suspensa pelo desespero desse amor. Todos os atores tem excelente atuações, mas Fernanda Torres, Fernando Alvez Pinto e Laura Cardoso levam o espectador ás lágrimas com o realismo vsiceral de suas intepretações. É um momento sublime e soberbo do cinema nacional e o argumento fatal para a derrocada daqueles que guardam a idéia ignorante de falta de qualidade da produção cinematográfica brasileira.
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30 de Setembro de 2005
A equipe que escolhe os filmes concorrentes a uma das 5 vagas nos indicados ao melhor filme estrangeiro na premiação do americano Oscar já não tem boa acolhida, na minha opinião, já por se tratar de uma equipe absolutamente vinculada ao sistema governamental, e não uma equipe de especialistas do ramo isentos de qualquer vínculo. Mas agora foi longe demais. A indicação de 2 filhos de Francisco é totalmente estapafúrdia. Entre os filmes listados para a escolha, este era o único que não deveria sequer se cogitado como possibilidade. No entanto, já que se trata de uma equipe de origem governalmental, e em se tratando DESTE governo, não se poderia esperar outra coisa. Opa, não foram Zezé Di Camargo e Luciano que apoiaram abertamente $$$$ a campanha do presidente Lula? Engraçado, não?
O que menos interessa aqui é a premiação em si. Pouco me interessa se esse filme vai ou não ganhar o Oscar. O que interessa é que a indicação do filme coroa uma campanha agressiva, da mídia e do artistas em geral, em fazer crêer que estamos diante de um grande filme que retrata a história de grandes brasileiros. Quando todo mundo começou a sofrer de surto demagógico, por deus? Não acredito nesta história toda. Ao menos metade dessa gente não costuma escutar a música da dupla sertaneja, quando não tem total ojeriza por eles. Mas parece inevitável fugir da ostensiva campanha de lobotomia cultural: você liga a TV e lá estão Faustão, Caetano Veloso, e uma penca de artistas e músicos brasileiros estão de prontidão infernizando o público brasileiro com sua visão de que estamos todos diante de um grande acontecimento no cinema brasileiro. Não é facil.
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