Cowboy Junkies - Lay it Down. [download: mp3]
9 de Dezembro de 2006
Esta banda canadense, onde três dos quatros integrantes são irmãos, nunca obteve o sucesso que tanto almejou. O seu country-rock, suave, sutil e econômico mantém sua identidade quase intacta até hoje, e atingiu a perfeição no álbum “Lay it Down”, lançado em 1996. Este é um disco de difícil análise, por um motivo muito simples: as músicas mantém um estilo muito homogêneo, com os mesmos vocais macios de Margo Timmins e cujas melodias utilizam praticamente a mesma instrumentação e estrutura. No entanto, há algumas ligeiras diferenças nas melodias de algumas canções, com a destaque sutil para algum dos intrumentos utilizados. As guitarras, por exemplo, ganham uma tonalidade muito compacta, discreta e organizada, sem um mínimo de rebeldia, mesmo quando utilizada de maneira mais vistosa em “Something more besides you” (que traz questionamentos sobre o amor que sempre esperamos encontrar, e se paramos de buscar algo a mais mesmo quando o encontramos) e na canção que a sucede, “A Common Disaster” (que mostram a altivez de uma mulher segura de que conquistará quem tanto deseja, mais cedo ou mais tarde). Na música-título do disco (cujos versos falam brevemente sobre uma estória de desgraças e resignação), temos a utilização episódica de irresistíveis riffs comportadinhos de guitarra, ao mesmo tempo que amplia-se ainda mais a quietude sonora que é a maior identidade do grupo. “Speaking Confidentially” (com versos repletos de metáforas e comparações muito bem compostas, retratando sentimentos de ódio, revolta e confusão) tem como seu diferencial a bateria mais claramente ritmada, cuja sonoridade foi trazida mais para o primeiro plano da melodia, assim como também destaca-se por utilizar de maneira mais ostensiva um arranjo de cordas que incrementa - e muito - a canção. No entanto, a homegenidade sonora predomina no disco, como podemos conferir nas clássicas baladas suaves e delicadas, que é uma das coisas que a banda faz de melhor. Exemplos disso são “Hold on to me” (que traz em seus versos o comportamento algo indiferente que as pessoas, por vezes, adotam no amor), “Lonely Sinking feeling” (com letras fabulosas, que revelam, atraves de diálogos e pensamentos de dois namorados, o eterno sentimento de confusa insatisfação que nos abate quando atingimos aquilo que mais almejamos no amor) e “Musical Key” (em cujas letras imensamente tocantes Margo canta, utilizando a tradição musical como mote, sobre lembranças doces da convivência com seus pais em sua infância). Porém, apesar do comportamento caráter conservador do trabalho da banda - o que, em nenhum momento, se configura como defeito -, ela ainda conseguiu perpretrar alguma ousadia, como podemos conferir na canção “Come Calling” (que fala sobre um casal cujo relacionamento amoroso está em suspenso) que tem duas versões de diferentes melodias mas com a mesmíssima letra: as versões “His Song” e “Her Song”. A primeira é a versão que retrata os sentimentos de arrependimento do homem, com melodia mais agitada e rápida, e a segunda transmite com exatidão a melancolia e sofrimento pelo qual passa a mulher, com sua música triste, quieta e lenta. Fechando o disco, e preservando o ritmo melancólico, da faixa anterior, temos “Now I know”, canção de curta duração cujo destaque na melodia fica para o violão e em cujas letras resume-se, em poucos versos, o âmago do que é sofrer.
“Lay It Down” é um disco de audição fácil, que mantém em seu todo uma textura tranquila e algo contemplativa, feito para ser escutado seguidamente no mesmo dia, desfiando nas audições cada detalhe elegante dentro das ligeiras diferenças melódicas das canções. Baixe já o disco utilizando o link abaixo e a senha para abrir o arquivo.
senha: seteventos.org
http://d.turboupload.com/d/1314696/junkies_lay_it.zip.html
Popularity: 4% [?]
Belas surpresas reservam a internet. Ao me deparar com o perturbador vídeo de Emily Haines (veja aqui no blog), fiquei deveras impressionado com a sua música e, inevitavelmente, seguiu-se uma busca pelas canções de seu segundo álbum solo. Garimpei a web inteira, encontrei o álbum e fiquei surpreendido. Knives Don’t Have Your Back pode não ser feito completamente de músicas fenomenais, mas aquelas que são fenomenais, o são integralmente. “Doctor Blind”, o single cujo vídeo já citei e aqui postei, é abusivamente moderno e delirante: nas letras, entre versos algo delirantes, o vocal de tom desesperançado de Emily pede à um médico a prescrição de drogas para aplacar o sofrimento psicológico de seu companheiro; a melodia é feita num piano de acordes tristes e bateria de cadência lenta e pesairosa, acompanhados por bom uso de orquestração de cordas complementar. Em “Detective Daughter”, cuja letra fala sobre conflitos de identidade com os quais todos podemos nos deparar em certa altura da vida, temos uma melodia hipnótica que usa, além do piano triste e reflexivo, acordes longos de guitarra e bateria eletrônica básica. “The Lottery” trata da liberdade sexual e da sua necessidade na vida humana, trazendo um melodia onde orquestrações de cordas sofisticadas ganham mais corpo na música, complementando o piano de acordes um pouco desiguais e o vocal sutilmente irônico de Emily. Em “The Maid Needs A Maid” Emily revela uma canção de amor para uma outra mulher, revelando os detalhes ordinários de sua beleza e comportamento que a fascinam. A melodia é baseada apenas em piano, cujos acordes graves são tão bem compostos que realmente fazem desnecessária a participação de qualquer outro instrumento. “Mostly Waving”, cujos versos curtos falam sobre o comportamento inadequado, tem como seu maior atrativo a música fabulosa: além do piano minimalista de acordes essencialmente graves, temos uma bateria suavemente cadenciada que evita atrapalhar a participação da orquestração de metais, que é o grande salto da melodia, junto com a ironia sutil que Emily põe em seu vocal solto à meia-voz e nos vocais de fundo bastante lúdicos. Os metais também estão presentes em “Reading in Bed”, porém a orquestração destes é mais suave e lenta, compondo apenas a sequência final da música e acompanhando o trabalho ao piano, onde Emily volta à explorar a sua destreza em compor acordes feitos de pequenos ciclos melódicos que se repetem e se modificam ligeiramente durante a música - uma representação legítima do chamado “minimalismo”. A letra fala sobre a vida ordinária de um homem qualquer, cuja tristeza provém de um livro que tem sempre à mão. “The Last Page” trata os percausos e medos que temos durante a vida com necessários de ser enfrentados, o que minimiza e diminui o seu impacto. A melodia é dividida em duas partes diferentes, primeiramente baseada apenas em piano de toques esparsos, ganhando a participação discreta de um orgão por alguns instantes; na segunda parte da música surge uma bateria de cadência algo orgânica, que se mantém durante os instantes finais da canção enquanto o piano, o orgão e um baixo sutil somem da melodia. A última música do disco, “Winning” é daquelas canções soberbas que fecham discos de maneira tão perfeita que é impossível evitar ouvi-la novamente. A letra, de lirismo pós-moderno e dissonante, fala sobre a tentativa de consolar o sofrimento de alguém sem deixar de mostrar-lhe como isto não vai ser fácil, mas que será feito uma hora ou outra. A música, novamente centrada apenas no piano, casa com perfeição com o vocal melancólico mas encorajante de Emily, tendo, na sua parte final, uma das sequências melódicas mais belas que já ouvi, primorosa em seu modo fulminante de atingir as emoções do ouvinte utilizando tão pouca coisa - é de ouvir ininterruptamente, dissecando, saboreando e decifrando cada um dos seus preciosos e esplenderosos segundos.
Rose, tentando entender o que aflige seu filha adotada de seis anos, vai com ela para a única pista que tem da origem da criança, uma cidade chamada Silent Hill, há muitos anos abandonada por conta de uma catástrofe. Mesmo sabendo destes eventos, e contra a vontade de seu marido, Rose ruma para a cidade.
Ao tomar conhecimento do assassinato de toda uma família em Holcomb, uma cidadezinha interiorana dos Estados Unidos, o jornalista e escritor Truman Capote parte para o local para escrever um artigo sobre o acontecido para a famosa revista The New Yorker. Ao chegar na cidade o seu interesse sobre o ocorrido se amplia, e ao invés de um simples artigo Capote sente que deve escrever um livro. Assim, ele passa a dedicar alguns anos da sua vida envolvendo-se intensamente com a estória, fazendo pesquisas e entrevistas com os amigos da família e seus assassinos, produzindo aquilo que viria a ser considerado uma obra-prima, o livro “À sangue frio”.

