“A Névoa”, de Rupert Wainwright.

The Fog
Jovem garota retorna de New York para uma pequena ilha na costa americana, onde reencontrará o namorado e testemunhará a chegada de uma estranha névoa, que traz consigo espíritos que almejam vingança contra os habitantes da ilha, todos descendentes daqueles que um dia lhes fizeram mal.
O filme é mais uma refilmagem - que novidade - de um filme de terror lançado nos anos 80, produção esta dirigida por John Carpenter. E o novo longa, a cargo de Rupert Wainwright, não convence por um minuto sequer. Para você ter uma idéia, o diretor é mais conhecido, dentro de sua ínfima filmografia, por “Stigmata”. Como este filme do diretor já não era um primor da originalidade e qualidade, o que esperar de um remake de um filme menos famoso de John Carpenter? O elenco não cativa o público nunca, o que é um problema, já que o filme é calcado particularmente no par de protagonistas - Tom Welling, personagem principal da confusa “Smallville”, e Maggie Grace, que saiu há algum tempo do elenco de “Lost”. O roteiro é o segundo e maior problema: a estória dos espíritos até interessa e a misteriosa névoa é uma idéia interessante, mas as sequências de horror são fraquíssimas - o desempenho fraco do elenco ajuda muito para tanto -, e a estória vai enfraquecendo aos poucos, concluindo com uma sequência tão anti-clímax que o espectador fica surpreso com o filme ter acabado daquela maneira tão sem graça, sem criatividade e - desculpem o uso de termo tão pouco criativo - brochante. Se o argumento do filme original concluía da mesma forma, por que o novo roteirista não queimou um pouco de massa cinzenta para criar uma conclusão mais satisfatória e impactante? Se o final original foi preservado, o novo responsável pelo roteiro foi muito pouco sensato ao fazê-lo, pois a sequência dá a idéia de que o roteirista simplesmente não sabia como terminar a estória e resolver a situação da maldição dos espíritos sobre a ilha. Se o final foi criação do novo filme, pior ainda. Porém, em qualquer das duas opções o resultado é o mesmo: aquele fim reduz o filme de horror à uma estorietazinha muito chinfrim de amor. Teria sido melhor ter a ousadia de transformar logo a estória em um romance: isso teria sido mais coerente e mais justo com o espectador. A direção, já deu para perceber devido à fraqueza das cenas de horror, é o terceiro problema: sempre parece que o diretor se satisfez em obter sequências medianas e burocráticas, sem se esforçar para melhorar, na construção das cenas, um roteiro fraco e carente de emoções e sustos.
Ao fim, “A Névoa” serve apenas para reforçar a tese daqueles que julgam a atual onda de regravações de Hollywood não apenas como um perigo, quando estas estão baseadas em longa-metragens cultuados, emblemáticos e de qualidade reconhecida, mas uma enorme desnecessidade e desperdício de recursos, quando, como neste caso específico, trata-se de produções que se baseiam em longa-metragens que já eram muito pouco animadores. Há sempre o risco de termos uma surpresa e nos depararmos com um grande filme, um melhoramento da idéia original. Mas, como no post sobre cinema da semana anterior, sou obrigado a lembrar - não tem jeito - estamos falando de Hollywood. E quando falamos de Hollywood, dificilmente estaremos falando sobre boas surpresas.

Popularity: 3% [?]

Gostou? Usou? Adicione e divulgue! Adicione este post ao site de compartilhamento social de sua preferência entre os listados abaixo.
  • Technorati
  • del.icio.us
  • bodytext
  • Slashdot
  • UEBA
  • LinkTo
  • Linkk
  • Rec6
  • Facebook
  • TwitThis
  • Pownce
  • Reddit
  • Mixx
  • NewsVine
  • SphereIt
  • StumbleUpon
  • Furl
  • Sphinn
  • Google
  • Live
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

Só 1 comentário! Comente! para ““A Névoa”, de Rupert Wainwright.”

  1. Daisuke em

    De fato, esse filme decepciona! A gente assiste e tem a impressão que está vendo alguma série americana (mas num daqueles episódios mais chatos)!

Comente o texto