“Código Desconhecido”, de Michael Haneke.
Uma talentosa atriz que não sabe exatamento como lidar com as vulnerabilidades da vida humana. Seu namorado, um fotógrafo jornalístico que é igualmente incapaz e por isso passa a maior parte do tempo afastado e em meio à uma realidade mais cruel e miserável sem, no entanto, conseguir processá-la. Seu jovem irmão, petulante e irreponsável, incapaz de enxergar algo que não seja a si próprio. Seu pai, um homem embrutecido e que não consegue romper a armadura de insensiblidade que construíu ao redor de si e, por isso, não consegue estabelecer qualquer comunicação com o filho. Uma imigrante ilegal romena que encontra na mendicância a única opção para sustentar a si e sua família, da qual vive afastada. Um jovem imigrante africano que trabalha com deficientes auditivos e tenta lutar contra o preconceito contra os estrangeiros, em vão, obviamente.
Estes são os personagens do incômodo filme Código Desconhecido: relato inacabado de várias jornadas, do diretor Michael Haneke. Incômodo sim, mas de expectação urgente: impossível ser mais atual depois da recente onde de violentos protestos organizada por imigrantes e descendentes de imigrantes franceses. Mesmo utilizando recursos e técnicas comuns no cinema de arte europeu, como tomadas longas e sem interrupções, diálogos pontuados por silêncios gritantes, cenas cuja ação transcende o campo visual do expecatador, Haneke consegue prender a atenção pela lógica contrária à de qualquer filme: há momentos tão realisticamente incômodos que o expectador sente vontade de desligar a TV. Mas, sabendo tratar-se da causa desse sentimento a constatação dos fatos retratados no filme serem a mais pura realidade, ele toma coragem e continua a assistir. É uma espécie de catarse expectativa: nos sentimos obrigados a ver isso não porque achamos que vamos encontrar a solução para os problemas do mundo, estejam eles compreendidos em uma esfera mais sócio-universal (como o anti-semitismo e a miséria) ou pessoal (como a incomunicabilidade afetiva), mas para que possamos ter, ao menos, uma atitude mais compreensiva e paliativa diante de tudo. Se pensarmos apenas no mazelas sociais que o filme mostra - e já expliquei que ele não se contenta apenas com isso - e relacionarmos com a França de hoje, podemos dizer que Haneke foi profético: “Olhem como agimos, olhem o que está acontecendo. Não há o que fazer. É sentar e esperar tudo explodir pelos ares.” Foi o que aconteceu.
A direção é precisa e inteligente o bastante para deixar a ação ser guiada pelo elenco, excepcional. Julitette Binoche, como de praxe, está estupenda: mesmo quem não tem qualquer familiaridade com a atriz pode afimar, assistindo apenas este seu trabalho, ser ela uma das melhores atrizes do mundo.
Para fechar, fica apenas o registro de uma crítica, não à Haneke, mas aos profissionais do cinema como um todo: como ninguém descobriu ainda o ator francês Thierry Neuvic, que possui excelente performance e ainda por cima é lindíssimo??? Procurei na internet por imagens. Chega a ser vergonhosa a reduzida quantidade de fotos disponível dele. Não se fazem mais galerias de fotos na internet como antigamente. Tem gente que é cega mesmo…
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Você é de um bom gosto incrível!!! Parabéns!!! É a primeira vez que acesso seu blog, e me senti como uma criança, com um novo brinquedo, pensado como fui feliz em clicar no link para seu blog! Feliz Ano Novo!!!!; desculpe mas não consegui descompactar o arquivo do album de Melissa, não achei a senha.