Mia Doi Todd - Manzanita. [download: mp3]
1 de Janeiro de 2009 - 1:12hs.
Americana de Los Angeles, Mia Doi Todd tem entre seus dotes a graduação em estudos orientais e a pesquisa feita sobre a Butoh, dança contemporânea japonesa das mais idiossincráticas - conhecimento que a levou inclusive a criar e montar coreografias para um grupo de dança dos Estados Unidos. Mas seu dom natural é mesmo relativo à outro campo do mundo da arte, a música.
O encanto da música criada por Mia Doi Todd nasce da combinação homogênea entre voz e melodia: seu vocal macio, moderado no volume e no uso de vibratos, funde-se sem rebarbas com as melodias que exploram a sutileza da instrumentação acústica. Essa feição algo naturalista de sua música é obtida em sua forma mais ideal nas faixas mais sorumbáticas e melancólicas de seu álbum Manzanita, como se pode perceber na harmonia algo solitária entre o silêncio dos acordes de violão e o acalanto da voz de Mia na belíssima “I Gave You My Home”, música em cujas letras uma mulher, entre referências à afazeres domésticos cotidianos, lembra seu companheiro sobre todo o amor e dedicação que um ofereceu ao outro nesta relação. Mas essa ambientação obtida da combinação da tonalidade da voz da cantora com as melodias que compõe está presente em todo o disco, do início ao fim, passando tanto pelas canções que experimentam sabores latinos - associação despertada pelo que há de lúdico nas palmas, pelo virtuosismo do mandolim, e pela cadência letárgica da guitarra de “Tongue-Tied”, na qual Mia se utiliza de uma breve narrativa metafórica para confessar que procura um modo de conquistar o amor de seu amado, bem como pela coloração reggae de “Casa Nova”, que explora nas guitarras, no baixo e no arranjo de metais o gingado malemolente típico do gênero em uma canção onde uma mulher revela ter se livrado do feitiço de uma paixão que há muito lhe tolhia a liberdade de amar - quanto por aquelas que exercitam as potencialidades do rock - caso da faixa que abre o disco, “The Way”, onde as guitarras, na companhia do baixo e da bateria, dão o compasso da melodia tanto quanto preenchem e aprimoram sua base com reverberações e distorções sutis.
Servindo como uma espécie de “ensaio”, uma base sólida para que Mia mais tarde delineasse com maior clareza e apuro a atmosfera bucólica de seu mais recente disco, o álbum GEA, Manzanita é um exercício musical que mesmo no seus momentos mais agitados e profusos explora tecituras simples e convencionais onde os (poucos) excessos de ornamentação sempre trabalham a favor da harmonia, e não da falta dela.
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Eu já desconfiava que o Terra, assim como fez ano passado, voltaria a disponibilizar um ensaio extra em Dezembro deste ano de 2008. Mas diferentemente do que aconteceu no final de 2007, Paulo Henrique, paulista de 21 aninhos, modelo “bônus” de 2008, é muito mais bonito e sexy. E com seus cabelos claros, seu rosto de traços extremamente masculinos, seus olhos castanhos de menino maroto, sua boca que guarda algo de malicioso e seu corpo vigorosamente malhado de pele branca pecaminosamente salpicada de pintas, o rapaz não deixa o nível cair no que tange à beleza do modelo do ensaio imediatamente anterior, exibindo sensualidade de sobra. Com esse moreno claro - digo isso apesar de ter certeza que para alguns ele é loiro - desmedidamente tesudo, não teria erro, era certeza de um ensaio perfeito - mas não foi isso que aconteceu.
E para ilustrar essa música que utiliza como referência a sonoridade de uma época cuja estética foi e é tão explorada, foram feitos dois vídeos que tomam caminhos bem distintos. Para o fotógrafo e diretor francês que atende pelo pseudônimo Danakil, “Antibodies” serviu como inspiração para abordar uma narrativa abstrata, onde uma aeromoça nua em um quarto de hotel de aeroporto lida com o dilema de sua gravidez enquanto tateia languidamente um peixinho ornamental e brinca com as sensações provocadas por uma agulha. Enquanto isso, lá fora, uma bolha de sabão de enormes proporções vagueia sem rumo pelo aeroporto vazio. A despeito do peixinho sem fôlego, que é mesmo uma maldade, o vídeo é de uma imensa beleza plástica, tudo graças a linda modelo que empresta-se ao papel da aeromoça e a fotografia de Danakil, que confere muita classe ao filme.
Já para a também fotógrafa Maria Ziegelböck, austríaca radicada na França, as referências musicais contidas na melodia pulsaram mais forte: o vídeo por ela preparado é um compêndio de sequências com anônimos deixando seus corpos serem levados pelo ritmo saboroso da canção em uma pista iluminada por alguns spots de luz. Sem dúvidas que lembra a icônica sequência de “Flashdance”, mas isso não reduz as qualidades desta versão, muito bem filmada e editada.
Um surto epidêmico de cegueira branca, incurável, atinge uma grande metrópole, despertando nos habitantes um temor que leva o governo a isolar os contaminados. Dentre eles está um médico e sua esposa, a única que permanece imune à estranha doença.
Difícil saber o que levou a nova-iorquina Carla Bozulich a rebatizar o seu projeto, no seu segundo lançamento, com o nome do primeiro disco. Evangelista, o disco, é agora o nome da banda. Mas isso, pouco importa: as idéias partem mesmo é de sua mentora, Carla. E em Hello, Voyager, o arcabouço criativo da artista americana foca-se nos domínios do rock, mas dentro dele, apresenta-se com tonalidades bem variadas. Carla e sua banda, por exemplo, trazem no álbum duas faixas instrumentais, mas a atmosfera de ambas é bem diversa: enquanto “For the L’il Dudes” intriga com suas cordas assustadoramente soturnas, “The Frozen Dress” causa arrepios com o coro de murmúrios e lamentos vocais sobrepostos às guitarras que reverberam acordes graves e enrugados. Para algum ouvinte mais apressado, por sinal, a atmosfera algo esdrúxula de ambas as faixas poderia ser motivo para taxar a banda de experimental. No entanto, a impressão não corresponde à realidade da essência sonora deste trabalho da banda de Carla.

